TERCEIRA IDADE



RECREAÇÃO NA TERCEIRA IDADE



Alessandra Dias de Almeida
Kelly Cristine Mangili
Kelly Lopes Romero
Marcelo Alcântara Prado
Oeder Darilio Duarte
Paula Cristina Alves
Paula Roberta Pinto
Renata Cristina Rogich Merighi
Ano - 2004


1- INTRODUÇÃO

Os estudos direcionados a terceira idade, têm apontado uma gama de benefícios à saúde a sociedade promovidos com a prática de atividades físicas cotidianas. Fator preocupante, pois está comprovado que a cada ano a população que pertence ao grupo da terceira idade, cresce de forma acelerada e sem os devidos esclarecimentos a respeito desses tais benefícios. Uma rotina ativa com simples tarefas, incluindo atividades leves individuais ou coletivas como: caminhadas de baixa intensidade, a utilização de escadas ao invés de elevadores, cuidar do jardim, atividades aquáticas, viagens turísticas a lazer em geral, proporcionam uma melhoria na condição física e psicológica, auxiliando na realização de movimentos do dia-a-dia, tornando esses indivíduos prestativos em seu meio social e conscientes enquanto cidadãos.

2- TERCEIRA IDADE, COMO AGIR?

Em decorrência da idade avançada e das perdas biológicas e sociais, o idoso passa a sofrer preconceitos, dentre eles a exclusão do meio produtivo e como também das perdas afetivas. Esta rejeição na maioria das vezes parte da própria família que o considera um estorvo dentro do lar. A solução mais prática vista pelos seus familiares é a “internação” numa casa de repouso – asilos.

Antigamente, nas sociedades tradicionais, os velhos eram muito considerados, por serem sinônimo de lembranças e sabedoria. Atualmente o descaso e o desprezo os excluem da sociedade, que os julgam improdutivos. É comum encontrar idosos abandonados e ignorados dentro da própria família.

A velhice sempre é vista, como um período de decadência física e mental. É um conceito equivocado, pois muitos cidadãos que chegam aos 65 anos, já que é a idade oficializada pela Organização das Nações Unidas, ainda são completamente independentes e produtivos.

Geralmente, a velhice está ligada às modificações do corpo, com o aparecimento das rugas e dos cabelos brancos, com o andar mais lento, diminuição das capacidades auditivas e visual, é o corpo frágil. Essa é a velhice biologicamente normal, que evolui progressivamente e prevalece sobre o envelhecimento cronológico. Cientistas e geriatras preferem separar a idade cronológica da idade biológica. Para eles, tanto o homem quanto à mulher se encontra na terceira idade por parâmetros físicos, orgânicos e biológicos.

3- BENEFÍCIOS DAS ATIVIDADES RECREATIVAS NA TERCEIRA IDADE

Os asilos locais são que não oferecem atividades para suprir suas necessidades. Tendo sempre uma vida monótona. Com o intuito de viabilizar momentos de descontração, promovemos atividades recreativas estimulando o organismo a produzir substancias como, endorfinas e andrógenos, que são responsáveis pela sensação de bem estar fazendo com que seja recuperado a auto – estima. Estas sensações são inibidas pelo sedentarismo que somado ao stress provoca patologias fisiológicas e psicológicas.

A atividade físico-recreativa é identificada constantemente como uma das intervenções de saúde mais significativas da vida das pessoas de idade avançada. Dentro dos benefícios imediatos da participação regular em programas de exercícios e recreativos se identificam no aspecto físico: maiores níveis de auto-eficácia, controle interno, melhoria nos padrões de sono, relaxamento muscular, entre outros. Tem-se percebido que a redução dos níveis de atividade física habitual, assim como outros fatores não definidos, associados à velhice, são as principais causas do declínio da capacidade cardiorespiratória.

Uma velhice tranqüila é o somatório de tudo quanto beneficie o organismo, como por exemplo, exercícios físicos, alimentação saudável, espaço para lazer, bom relacionamento familiar, enfim, é preciso investir numa melhor qualidade de vida. Ao contrário do que se pensa os idosos pedem e devem manter uma vida ativa. Essa vitalidade se estende a vida sexual e suas transformações hormonais, com isso a idade avançada não deve impedir que um casal tenha uma vida sexual ativa.

A elaboração de um programa de atividade física para a terceira idade deve levar em consideração o preparo para que o idoso possa cumprir suas necessidades básicas diárias, ou seja, tentar impedir que o idoso perca a sua auto-suficiência, através da manutenção de sua saúde física e mental.

Dentro dos benefícios imediatos da participação regular em programas de exercícios recreativos podemos encontrar: melhoria nos padrões de sono, relaxamento muscular, aumento da auto-estima e aumento da capacidade cardiorespiratória. No âmbito social, promove uma maior interação, promove o crescimento social, ampliando o circulo de relações sociais.

Antes de se iniciar a prática de exercícios com idosos é necessário que o mesmo faça uma avaliação médica. Sabe-se que o tipo de atividade física ideal é determinada por variáveis que vão desde os hábitos de vida até os fatores geneticamente herdados. Tendo como objetivo final a melhora ou manutenção da qualidade de vida relacionada a saúde, deve-se, então, escolher as capacidades físicas que sejam pré-requisitos básicos para a conquista de uma vida saudável.

Os efeitos da diminuição natural do desempenho físico podem ser atenuados se forem desenvolvidos com os idosos, programas de atividades físicas recreativas que visem a melhoria das capacidades motoras que apóiam a realização de sua vida cotidiana, dando ênfase na manutenção das aptidões físicas de principal importância no seu bem estar.

É fundamental que o idoso aprenda a lidar com as transformações de seu corpo e tire proveito de sua condição, prevenindo e mantendo em bom nível sua plena autonomia. Para isso é necessário que se procure estilos de vida ativos, integrando atividades físicas a sua vida cotidiana.

Particularmente as atividades recreativas devem ser: atraentes, diversificadas, com intensidade moderada, de baixo impacto, realizadas de forma gradual, promovendo a aproximação social, sendo desenvolvidos de preferência coletivamente, respeitando as individualidades de cada um, sem estimular atividades competitivas, pois tanto a ansiedade como o esforço aumenta os fatores de risco.

4- CUIDADOS ESPECIAIS

Abordaremos o estudo dos cuidados especiais sobre três aspectos fundamentais:

4.1- Técnico-Metodológicos
. Ser claro nas explicações. Utilizar exemplos concretos;
. Manter todos os alunos em atividade;
. Estabelecer metas que os alunos possam alcançar;
. Vigiar os alunos e permanecer em constante relação com eles; nestes casos a formação em circulo é ótima, pois o docente será mais um do grupo;
. Quando se trata de aula com jogos e brincadeiras, é melhor conhecer bem dois jogos do que mal doze jogos;
. Nas atividades lúdicas estabelecer regras simples, mas que sejam cumpridas;
. Não improvisar jamais;
. Quando usar materiais, certificar-se de que todos os alunos o possuem;
. Alternar diferentes setores: braços, pernas, mãos, etc.

4.2- Fisiológicos
. Controlar permanentemente a classe em certos aspectos observáveis: palidez, suor, mal-estar, fadiga, dor torácica precordial e vertigem;
. Fazer bom uso das diferentes posições, alternando-as adequadamente, sem fazer sobrecarga de tempo em algumas delas;
. Evitar movimentos brusos;
. Evitar posições de cabeça para baixo;
. Evitar hiperflexões, hiperextensões, rotação extrema da nuca e região lombar;
. Evitar a busca de performance;
. Evitar exercícios de agilidade no chão;
. Não usar de atividades com sobrecarga, utilizando materiais mais leves;
. Em atividades lúdicas não se mudará de direção de maneira veloz;
. Corrigir sempre a postura, quando sentados;
. Realizar exercícios sem sintomas de dor;
. Realizar lentamente os exercícios respiratórios;
. Cuidar para que a roupa seja folgada e o calçado tenha sola de borracha flexível;
. Proteger os joelhos com joelheiras ou algo parecido;
. Permitir que os alunos interrompam o exercício, se assim o necessitarem.

4.3- Psicológicos
. Elogiar sempre, mas também corrigir e ajudar no momento oportuno;
. Interessar-se e entusiasmar-se com as atividades;
. Atuar honestamente com os alunos;
. Evitar exercícios que coloquem o aluno em evidência diante de seus companheiros;
. O trabalho coletivo favorece os contatos humanos, a colaboração e a solidariedade;
. A atitude e a aptidão do professor sempre devem ser motivadoras, transmissoras de imagem e modelo;
. Simplificar as regras e normas de aplicação, mudando o número de participantes ou limitando o tempo;
. Responder a todas as perguntas;
. As propostas de trabalho não deverão ser obrigatórias;

5- Critérios básicos na programação de atividades recreativas para os gerontes

. Respeitar a heterogeneidade do corpo;
. Levar em conta a progressiva perda de identificação com a imagem corporal real;
. Os objetivos do plano devem corresponder às necessidades e motivações dos alunos;
. Motivar sempre o grupo;
. As atividades escolhidas devem respeitar os objetivos propostos;
. Toda a atividade oferecida deve ser coerente com o conjunto de atividades, para poder manter a continuidade e progressão dentro do programa;
. É fundamental uma avaliação final.

6- AS ATIVIDADES RECREATIVAS

Objetivos: estimular os aspectos motores, psicológicos e sócio-afetivos dos gerontes, visando integração e bem-estar do grupo.

Parte inicial: atividades recreativas – iniciar com atividades moderadas, depois aumentar o ritmo e novamente para atividades moderadas. Duração: 30 minutos.

Parte final: Alongamento e/ou relaxamento para finalizar. Podemos nos valer de contar histórias, cantar, jogos de adivinhação...

6.1- “O Submarino”

Distribuição: duas equipes sentadas frente a frente.

Desenvolvimento: cada equipe nomeia um de seus integrantes para que comece o “submarino”, tapam os olhos da pessoa com um lenço e ele é colocado num lugar predeterminado.

O jogo consiste em enviar uma ordem ao submarino para que se movimente e toque em outro. A ordem pode ser, por exemplo, “ um passo para a tua direita e três em frente”, o submarino que é tocado fica fora do jogo e outro companheiro ocupa o seu lugar.. Ganha a equipe que afundar todos os submarinos inimigos primeiro.

6.2- “Gincana”

Estação 1: Sobre uma mesa há diversos objetos: um tênis, um apito verde, um reis de paus, um relógio marcando 13h 16 min, etc. Tudo isso coberto com uma toalha. O juiz da estação toma nota dos objetos que os integrantes recordarem e dá um ponto para a equipe. Nesta estação ganha a equipe com mais acertos;

Estação 2: Forma-se um circulo por equipe e passa-se um limão de mão em mão, durante 3 minutos, anotando-se quantas voltas o limão deu. Ganha a equipe que mais voltas fizer dar o seu limão;

Estação 3: Armar e desarmar um brinquedo em madeira. Anota-se o tampo que leva tal operação. Ganha a equipe que demorar menos;

Estação 4: Responder a oito perguntas, por exemplo: em que ano foi proclamada a republica? Qual é o dia do índio? Etc. Ganha a equipe que fizer mais acerots, num tempo de 3 minutos;

Estação 5: Em cinco minutos cada equipe terá que conseguir: uma gravata, um sapato direito, um par de óculos sem lentes (verificar se os materiais estão ao alcance dos alunos). Ganha a equipe que nesse tempo trouxer mais coisas: dá-se um ponto para cada pedido cumprido.

Ao final da gincana somam-se os pontos e se classificam assim as equipes:

1º lugar: 10 pontos;

2º lugar: 8 pontos;

3º lugar: 7 pontos;

4º lugar: 6 pontos.

Somam-se os pontos e verifica-se que é o ganhador, isto é, quem somou mais pontos no cômputo final.



ESTAÇÕES

EQUIPE
1

EQUIPE
2

EQUIPE
3

EQUIPE
4

EQUIPE
5

TOTAIS DE
PONTOS

POSIÇÃO

1

2

3

4

5



7- EXEMPLO DE AULA PRÁTICA
 
 “QUEBRA GELO”
 
 7.1- A feira / Bingo humano.
 
 Objetivos: estimular socialização, divertimento e entrosamento do grupo.
 
 Formação: todos espalhados pelo ambiente.
 
 Desenvolvimento: o facilitador solicitará tarefas para os participantes desenvolverem como por exemplo, olhar para as pessoas, dar um aperto de mão, um abraço, um beijo e até fingir que são feirantes e venderem seus produtos, “gritando”. Logo após a “gritaria”, o facilitador distribuirá aos participantes uma cartela para que eles preencham com o nome de nove colegas. Após isso é marcado o nome de todos e feito um bingo com os nomes dos participantes. Vence quem preencher toda a cartela.
 
 7.2- Faça e não fala.
 
 Objetivos: estimular socialização, aspecto sócio-afetivo e cooperação.
 
 Formação: todos espalhados pelo ambiente.
 
 Desenvolvimento: nas costas de cada participante é colocada uma das frases: “me dê um abraço, me dê um beijo no rosto, aperte minha bochecha, me faça um elogio”. Os participantes têm que descobrir qual é a sua frase, mas os outros é que executarão a ação para eles descobrirem, sem falar nada.
 
 “ATIVIDADE PRINCIPAL”
 
 7.3- Carimaruche.
 
 Objetivos: desenvolver socialização, integração, ritmo, lateralidade.
 
 Formação: aos pares e em colunas.
 
 Desenvolvimento: os participantes cantarão:
 
 “carima, carima, carimaruche, carimaruche (2X)”
 
 “laialaiá, hey, lailailá, hey (2X)”
 
 E executarão os passos dos facilitadores.
 
 7.4- jóquei-pô da floresta.
 
 Objetivos: estimular raciocínio, rapidez, cooperação e integração.
 
 Formação: duas equipes, dispostas uma em cada lado.
 
 Desenvolvimento: ao comando do facilitador os participantes farão “leão, caçador ou espingarda” (leão mata caçador, caçador domina espingarda e espingarda mata leão) em direção à equipe adversária. Ganha o ponto a equipe que ganhar no jóquei-pô.
 
 7.5- Caçada colorida.
 
 Objetivo: estimular integração, coordenação motora e cooperação.
 
 Formação: os monitores estarão espalhados pelo ambiente e será feito grupos com poucas pessoas cada.
 
 Desenvolvimento: ao sinal, as equipes devem procurar os monitores e pegar as cores de guache com eles. A equipe que o fizer primeiro ou que conseguir todas as cores, será a vencedora.
 
 “VOLTA CALMA”
 
 7.6- Corrida do arco cooperativo.
 
 Objetivo: estimular cooperação e raciocínio.
 
 Formação: todos em círculo.
 
 Desenvolvimento: ao comando o arco deverá passar por todos sem soltarem as mãos. Um terá que ajudar o outro.
 
 7.7- Cariruacha (roda cantada).
 
 Objetivo: aprimorar relação interpessoal, integração.
 
 Formação: todos sentados e em circulo.
 
 Desenvolvimento: cantando a musiquinha e repetindo os gestos.
 
 “cariruacha, cariruacha, tchurururu (2X),
 
 é tão fácil, você pode fazer, basta você querer”
 
 7.8- Oh, happy day (roda cantada).
 
 Objetivo: reflexão, socialização e coordenação para executar os movimentos.
 
 Formação: todos em círculos.
 
 Desenvolvimento: cantando a música e coordenando os gestos.
 
 “Oh, happy day (2X)
 
 When jesus washed (2X)
 
 My sins always (2X)”
 
 7.9- Gopala
 
 Objetivo: reflexão, socialização, ritmo.
 
 Formação: em circulo.
 
 Desenvolvimento: cantando a musica e coordenando os gestos.
 
 “Gopala, gopala
 
 Devaguinanda, na gopala” (2X)
 
 “Devaguinanda na gopala
 
 Devaguinanda na gopala” (2X)
 
 “Gopala, gopala
 
 Devaguinanda na gopala”.
 
 
 MATERIAL NECESSÁRIO:
 
. 1 ESPAÇO;
 . Folhas sulfite e canetas;
 . Fita crepe;
 . Guache;
 . 1 arco;
 . 1 brinde para o bingo.
 
 8- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 
 LORDA, C. R. Recreação na terceira idade.
 
 PIRES, T.S.; NOGUEIRA, J.L.; RODRIGUES, A.; AMORIM, M.G.; OLIVEIRA, A.F. A recreação na terceira idade. Disponível em: www.cdof.com.br. Acesso em: 30/08/2004.
 
 VERDERI, E. O corpo não tem idade. Jundiaí: Fontoura, 2004.




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