TERCEIRA IDADE


DANÇA DE SALÃO NA TERCEIRA IDADE



Everton Ferraz de Moraes
Jaziel Carlos dos Santos
Mariana Bianchini da Paixão
Marina Carnicelli de Campos
Mario Jorge Pereira Diniz
Rafael Gonçalves Alaminos
William Mendes Narvona

Faculdade de Educação Física da ACM de Sorocaba
Ano: 2003

1 – PROBLEMA
Como a população está com uma expectativa de vida maior, torna-se importante determinar os mecanismos pelos quais o exercício físico pode melhorar a saúde, a capacidade funcional, a qualidade de vida e a independência dessa população (CORAZZA).

1.2 – SITUAÇÃO PROBLEMA
Será que a dança como atividade física proporciona ao idoso algum benefício físico, sócio-afetivo e cognitivo?

1.3 – JUSTIFICATIVA
A dança como atividade física ajuda a garantir a independência funcional do indivíduo através da manutenção da sua força muscular, principalmente de sustentação de equilíbrio, potência aeróbica, movimentos corporais totais e mudanças do estilo de vida. A dança de salão é um recurso interessante capaz de contribuir para anatomia e independência do individuo idoso, para que estes se mantenham ativos e participativos socialmente. Desta forma, é possível caracterizá-la como uma atividade importante em programas de atividades voltados para a Terceira Idade (CALDAS).

1.4 – OBJETIVOS

1.4.1 – OBJETIVO GERAL
Conhecer os benefícios que as pessoas idosas, de ambos os sexos, podem adquirir na dança de salão como atividade física.

1.4.2 – OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Conscientizar os participantes das aulas de dança de salão e a importância da mesma como uma atividade física que beneficia os domínios motores, cognitivos e sócio-afetivo.

1.5 – HIPÓTESE
Os problemas citados anteriormente podem sofrer alterações significativas (para melhor) em virtude da dança gerontológica?


2 - REVISÃO DE LITERATURA
2.1 – TERCEIRA IDADE

O envelhecimento é, sem duvida, um processo biológico cujas alterações determinam mudanças estruturais no corpo e, em decorrência, modificam suas funções. Porem, se envelhecer é inerente a todo ser vivo, no caso do homem esse processo assume dimensões que ultrapassam o ´´simples`` ciclo biológico, pois pode acarretar, também, conseqüências sociais e psicológicas (OKUMA).

Na concepção de alguns geriatras, a idade adulta corresponde mais ou menos dos vinte anos aos quarenta e cinco anos (idade madura). Já na grande concepção de outros geriatras como Ângelo Bós, que relatou na 2ª conferência de 1º seminário dos profissionais de Educação Física que atuam com atividades físicas para a 3ª idade, que as idades geriátricas e o processo de envelhecimento compreendem:

Meia idade ou Pré-senil – é a idade que vai dos 40 aos 60 anos, onde encontram-se os primeiros sinais do envelhecimento. Ocorre uma tendência ao aparecimento de várias doenças que afetarão a próxima fase, entre elas, hipertensão, diabetes, câncer, arteriosclerose (levando a tendência ao infarto e derrame) e angina. Evidencia-se uma diminuição das células de todos os órgãos, aumenta a quantidade de gordura em todo organismo. Esta fase caracteriza-se pela diminuição progressiva do desempenho nas atividades físicas, mas com o aprimoramento da atividade cerebral e espiritual. A aposentadoria, nesta fase, pode levar um indivíduo não preparado a deprimir-se, pois se deparar com uma situação de declínio social e econômico. Nesta fase, o profissional de saúde deve visar, portanto, uma intervenção sobre tudo preventiva. Senescência-gradual – dos 60 aos 70 anos, onde ocorre o aparecimento de sinais mais declarados. As doenças já são mais evidentes, assim como é evidente sua perda de força física.

Sua capacidade cerebral permanece, mas suas perdas sociais e físicas podem influenciar negativamente. As doenças que afetam essa fase já são, na maioria das vezes, crônicas e tendem a somar-se às previamente adquiridas ou prejudicá-las. Velhice conclamada – inicia aos 70 anos, é caracterizada pelo declínio do desempenho mental. As doenças já começam a afetar as suas atividades da vida diária, determinando uma tendência à invalidez e dependências. Somam-se as perdas econômicas e físicas as perdas de parentes e amigos que se tornam cada vez mais freqüentes. Longevidade – acima dos 90 anos evidenciam-se e afloram todas as tendências e dependências das etapas anteriores. O indivíduo, nesta fase, encontra-se em equilíbrio instável (STRAUSSBURGER).

2.2 – DANÇA DE SALÃO
A dança é resultado de um estímulo interno individual de mover-se; é uma ação intuitiva. Escutar a música, sentí-la e mover-se ´´saboreando-a`` é dançar. É a versatilidade e a característica que torna a dança de salão compatível com os diferentes grupos etários numa mesma sociedade (CALDAS).

Quando alguém diz que está fazendo ou com vontade de fazer aulas de dança de salão, vêm-nos logo a cabeça uma série de conceitos pré-estabelecidos sobre o assunto. Sabemos de antemão que é uma dança de pares e que durante as aulas, será aprendidos diversos passos. Sabemos também de suas funções terapêuticas: ocupacional ou para aliviar a pressão mental e atenção emocional da estressante rotina diária. Na realidade, há que elementos verdadeiros e que falam de alguns aspectos da dança de salão. Porém, se fizermos uma análise um pouco mais aprofundada no campo de atuação dessa atividade, veremos o quão maior é o peso de sua contribuição para saúde e o bem estar do indivíduo (MAGALHÃES).

A dança de salão abrange os três domínios da natureza humana: fisiológico, afetivo e cognitivo. Funcionam como um agente motivador do indivíduo para a manutenção e/ou recuperação da vida e da alegria pessoal e coletiva e como agente motivador retroalimentador da própria dança, por seu aspecto lúdico e sua versatilidade, incentivando a prática dela mesma, fazendo com que se renove e permaneça ao longo de gerações como uma atividade atual (CALDAS).

A dança pode ser um agente facilitador para uma maior adesão dos indivíduos idosos à pratica de atividades físicas passando de sedentários a ativos. Já está demonstrado que ela pode produzir benefícios físicos psicológicos e sociais mensuráveis cientificamente. Por tudo isso, sugere-se que cursos de capacitação em dança sejam organizados e estendidos para um número significativo de profissionais que trabalham com as questões na qualidade de vida na velhice (PORCHER).

2.3- ATIVIDADE FÍSICA
Cada vez mais, a prática regular de atividade física vem sendo recomendada como elemento de promoção de saúde. Vivemos um período de desenvolvimento tecnológico que gera conforto e comodidades da realização de nossas tarefas diárias e, conseqüentemente, um estilo de vida mais sedentário. A dança como atividade física ajuda a garantir a independência funcional do indivíduo através da manutenção da sua força muscular, principalmente de sustentação, equilíbrio, potência aeróbica, movimentos corporais totais e mudança no estilo de vida (MORAGAS).

Ela se destaca porque permite que o praticante sinta a leveza, fluência, alegria, liberdade. Distrai, nos colocando em contato com a nossa verdadeira essência, o que é uma estratégia particularmente eficaz no combate ao estresse, à ansiedade, tensão muscular; na busca da auto-confiança, da melhora do auto-conceito e da imagem corporal (RIBEIRO ).

Ao iniciar um trabalho físico com um aluno, será de suma importância não forçá-lo ou corrigi-lo abruptamente afim de não inibi-lo e/ou induzi-lo a acreditar ser incapaz e vir intimidar-se e interromper ou abandonar essas atividade. Será necessário observá-lo analisando sua coordenação motora, seu condicionamento e suas condições gerais enfim, suas limitações físicas (CORAZZA).

2.4 – DANÇA NA TERCEIRA IDADE
A dança de salão é uma atividade aeróbica ampla e bastante diversificada. O grau de impacto nas estruturas musculares, ósseas e articulares e a intensidade do exercício variam de acordo com o ritmo e estilo a ser dançado. Em geral, a dança trabalha com elementos voltados para melhoria da aptidão física e do desenvolvimento psicomotor (NANNI).

O principal da dança de salão, enquanto atividade física, é a mobilidade articular e a coordenação motora; o contato com o movimento, fazendo dele um uso consciente-poder pensar o que está fazendo e poder realizar o movimento desejado. O processo de aprendizado de dança de salão passa pelo conhecimento articulado, ou seja, associa conhecimentos e definições, físicos e até mesmo filosóficos, com experimentação, vivência e percepção. Integra corpo/mente, razão e emoção no pleno exercício do prazer (VIANNA).

Como que liberto, deixam-se embalar pela suavidade ou pelo ritmo da música, despojam-se de todos os ´´ais`` e deixam fluir toda sua emoção, resgatando situações, lembranças e momentos felizes já vividos, servindo como válvula de escape para o estresse do dia – a – dia (FRANÇA).

2.5 – SOLIDÃO NA TERCEIRA IDADE
O sentimento de solidão ocorre quando se procura companhia e não se acha. Na velhice, a solidão pesa. Não é apenas um sentimento, é um estado, uma maneira de ser – a solitária maneira de ´´ser velho`` (BARRETO).

A socialização é uma característica bastante importante da Dança de Salão, ao começar a aprender a dança, o indivíduo começa também a fazer parte de um grupo social heterogêneo, mas que possui normas e exigências de um determinado padrão de comportamento. No entanto, a própria dança de salão viabiliza a integração do indivíduo neste grupo, pois oferece recursos para que ele interaja – através da ampliação do seu potencial comunicativo – e promove o contato entre essas pessoas, de idade e modo de vida, às vezes tão diversos, mas que encontram uma conexão no desejos de dançar juntos.

A dança de salão pode contribuir para a socialização do indivíduo basicamente através de dois ambientes distintos: a sala de aula - onde o aluno aprende a dançar – e os bailes ou eventos festivos, onde o dançarino desfruta da dança com atividade de lazer. A sala de aula é um ambiente que valoriza a aproximação dos colegas de turma; reforça a necessidade das pessoas cumprimentar-se, falarem-se, conhecerem-se e atuarem de modo cordial e cooperativo (FARO).

Freqüentar salões de dança, é, por si só, uma boa forma de buscar a convivência. Dançar a dois, na maioria dos casos desperta alegrias muitas vezes adormecidas como divertir-se à noite inteira gastando bem pouco dinheiro (na maioria dos casos os bailes são atividades de lazer consideradas populares de baixo custo), ocupar-se com problemas banais, sem risco ou conseqüências muito graves tal como realizar um passo mais complexo e ter a oportunidade de conhecer e se aproximar de várias pessoas, principalmente do sexo oposto (FARIA).

O grande fator motivador dos idosos para irem ao baile é o combate à solidão. Muitos deles, por causa da viuvez ou da separação/divórcio, sentiram-se necessitados de novas experiências de relacionamentos, que perceberam poderem encontrar e de fato encontram nos salões de baile na cidade (CARDOSO).

Os bailes, às vezes, suprem uma vontade de desenvolver um relacionamento geralmente não muito sério, diferentemente das relações já experimentadas em outros tempos e além de tudo, o salão de baile também é um lugar onde são feitas muitas amizades (CARDOSO).

3 – CONCLUSÃO
É tão importante saber envelhecer. Saber descobrir o encanto de cada idade feliz de quem envelhece por fora conservando-se jovem por dentro; crescendo em compreensão para com tudo e para com todos, caminhando sempre mais no amor de DEUS e no amor ao próximo. Quem conserva acesa a sua chama, quem mantém entusiasmo pelo o que faz, quem sente razões para viver, pode ter o rosto cheio de rugas e a cabeça toda branca, mas é jovem. Quem não entende a vida e não descobre razão para viver e não vibra, não se empolga, pode ter 20 anos, mas já envelheceu. O importante não é viver muito ou viver pouco, mas realizar na vida o plano para o qual DEUS nos criou. As rosas a rigor, vivem um dia. Mas vivem plenamente porque realizam o destino de graça e beleza que vem trazer a Terra. Se sentirem que os anos passam e a mocidade se vai, peçam a DEUS, para si e para os que se tornam menos jovens, a graça de envelhecer como os vinhos envelhecem – tornando-se melhores – e sobretudo, a graça de envelhecendo, não deixar de amar a vida e vivê-la em plenitude (STRAUSSBURGER).

Os resultados obtidos depois de dois anos demonstraram que dos 60 sujeitos que freqüentaram o programa de dança, 100% melhoraram sua socialização, 100% melhoraram sua flexibilidade, 90% melhoraram o equilíbrio, 90% diminuíram as dosagens de medicamentos para hipertensão arterial e 100% melhoraram suas atividades de vida diária (AVDs) (SEVERINO).


4 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARRETO M. L. F., Admirável mundo velho. Velhice, fantasia e realidade social., São Paulo, Editora: Ática, 1992.
CALDAS C. P. Educação para a saúde: a importância do auto cuidado. In: VERAS, R. P. Terceira Idade. Rio de Janeiro, 1999.
CARDOSO S. et. al. Os sentidos da paixão., São Paulo, Editora: Cortez, 1985.
CORAZZA M. A. Terceira idade e atividade física., São Paulo, Editora: Phorte, 2001.
FARIA Jr G. et. al. Atividades físicas para terceira idade. Brasília D/N, 1997.
FARO A. J., Pequena historia da dança., Rio de Janeiro., Editora: Jorge Zahar., 1986.
FRANÇA L. H., SOARES N. E., A importância das relações intergeracionais na queda de preconceitos sobre a velhice. In: VERAS R. P. Terceira idade, Rio de Janeiro, Editora: Relume Dumará., 1997.
MAGALHÃES, D. N., A invenção social da velhice, Rio de Janeiro. Editora Papagaio, 1989.
MORAGAS, R. M., Gerontologia social: envelhecimento e qualidade de vida., Tradução feita por NARA C. R., São Paulo Editora Paulinas, 1997.
NANNI D., Dança-educação: pré-escola à universidade., Rio de Janeiro, Editora: Sprint, 1995.
OKUMA S. S., O idoso e a atividade física, Campinas SP, Editora: Papirus 1998.
PORCHER, L. Educação artística: luxo ou necessidade?, São Paulo, Editora: Summus, 1982.
RIBEIRO M. G. C., O idoso , a atividade física e a dança., Rio de Janeiro 1995.
SEVERINO G. Atividade física em idosos institucionalizados. In: CONGRESSO PAULISTA DE GERIATRIA E GERONTOLOGIA, São Paulo, 2001.
STRAUSSBURGER V.M., Viva a vida, sim! E porque, não?, Porto Alegre; Editora: Edições Caravela 1999.
VIANNA K., A dança., São Paulo, Editora: Siciliano, 1990.





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