A Cultura como agente de transformação da Maturidade
Sandra de Andrade - Fefiso
Ano: 2003
Na fase adulta o indivíduo vive na sua maioria em função da família e do trabalho; a ruptura com este, tende a ocasionar um esvaziamento psicológico, emocional e social, acentuado ainda mais na fase em que ocorre, em que os filhos já cresceram e saíram de casa. O resultado mais comum é uma profunda sensação de ócio e de vazio, o idoso passa a acreditar que não tem mais utilidade, que é incompetente, indesejável e improdutivo abrindo espaço para a depressão e para diversas doenças psicossomáticas.
Nesse contexto as atividades culturais são um dos componentes fundamentais de qualquer programa que visa a melhoria de qualidade de vida na Terceira Idade. Do ponto de vista físico, procura-se retardar os efeitos debilitados da idade sobre o corpo e a mente.
A pessoa que chega à Terceira Idade no pleno domínio de suas faculdades intelectuais e físicas, pode desfrutar de todo o rico acervo de conhecimento e experiência adquirido ao longo dos anos, no estudo e na aprendizagem cotidiana. Por sua vez a perda de memória, que em geral se associa à Terceira Idade refere-se mais à memória próxima que à remota, ressaltando-se ainda a necessidade de exercício para que estas e a inteligência se conservem.
A motivação para aprender em idade mais avançada não depende só das condições físicas e mentais mas também da vontade de usar plenamente esse potencial. As pessoas idosas tendem a ser mais seletivas naquilo que se dispõem a aprender e, passando a aprendê-lo, alcançam, muitas vezes, o nível de proficiência das pessoas mais jovens, embora o ritmo seja mais lento.
O interesse dos idosos por atividades culturais pode ser diminuído pelos seguintes fatores:
. capacidades não exercitadas;
. motivação insuficiente;
. o indivíduo não se sente capaz.
Aos coordenadores de programas culturais cabe incentivar ações que comprovem que a percepção de impossibilidades é mais aparente que real. Nesses casos, a prática favorece tanto o exercício quanto a motivação, que também é interna, ligada à construção de uma auto-imagem positiva e forte.
Considerando que as coisas verdadeiramente importantes não são feitas através de força, velocidade e aceleração dos movimentos do corpo, e sim da reflexão, autoridade e juízo, qualidades próprias das idades avançadas, pode-se avaliar o potencial de realização dessas pessoas.
A cultura é um bem de grande importância para toda a sociedade. O acesso a ela, em qualquer faixa etária, é um fator de conhecimento, interação, descoberta e vivência de emoções. Para o idoso assume um papel ainda mais vital, face à necessidade premente de melhoria e manutenção de sua qualidade de vida.
Promovendo a participação social das pessoas idosas, inclusive através de atividades culturais em grupo, criam-se oportunidades para que elas desenvolvam novas formas de expressão de idéias e sentimentos.
Desde que exposto a um leque de alternativas adequado, o idoso pode descobrir uma nova linguagem, uma nova forma de expressão, e até mesmo um grande talento, que simplesmente não havia sido despertado ou exercitado.
Substituindo a carência social e afetiva por uma saudável sociabilização os idosos se fortalecem, adquirindo uma nova visão do mundo e da vida através do grupo, cria-se o estímulo ao encontro e a não se sentirem emocionalmente diferenciados dos mais jovens.
Com a existência de vários programas sócio-culturais oferecidos por exemplo pelo SESC, pelas Universidades Abertas p/ a Terceira Idade, muitas famílias invertem sua posição: se antes insistiam para que os idosos saíssem mais de casa, agora passam a se incomodar um pouco com a agenda cheia. Com o tempo as famílias tendem a se adaptar à nova realidade, respeitando e admirando o idoso que retomou o controle de sua vida. Além disso o idoso fica mais tolerante, deixam que os filhos e netos vivam a própria vida e se torna menos ocioso e mais satisfeito consigo mesmo, melhorando o relacionamento familiar.
O aspecto mais importante para a análise da cultura na Terceira Idade é o que considera o idoso como agente da cultura relacionada a uma memória viva; ela detém grande quantidade de informações e lembranças, de valor precioso principalmente porque boa parte delas não se encontram com facilidade em outras fontes, pois escapam do registro oficial dos meios de comunicação em massa.
Referência Bibliográfica:
SILVA, S. A., A Terceira Idade, SESC - São Paulo, Julho 2001, nº 22, Ano 12, p.6-18. |