O conteúdo desta página requer uma versão mais recente do Adobe Flash Player.

Obter Adobe Flash player


OBESIDADE
Artigo


FACULDADE DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA ASSOCIAÇÃO CRISTÃ DE MOÇOS DE SOROCABA

RODRIGO DE MATTOS
CARLA VIEIRA
MARCELO MARQUES
LUCIANA ALVES
VALÉRIA DE MORAES
PATRÍCIA FERRO
ADRIANO ZANETTI
PAULA SANCHES
SOROCABA 
2003

1. INTRODUÇÃO

É realmente lamentável que, em nossa moderna era de realizações tecnológicas e científicas, quando o homem já andou na Lua, elaborou técnicas cirúrgicas milagrosas capazes de prolongar e aprimorar a qualidade de vida e descobriu muitos dos segredos microscópicos da interação molecular, não exista uma boa explicação para um assunto aparentemente simples: por que tantas pessoas ficam excessivamente gordas e o que se pode fazer para preveni-lo?. Os 22% de homens e 37% de mulheres nos Estados Unidos que estão tentando atualmente perder peso gastam aproximadamente $35 bilhões por ano, o mais das vezes utilizando práticas dietéticas deletérias.

Apesar das inúmeras tentativas destinadas a perder peso, atualmente mais americanos estão com excesso de peso do que há uma geração. Particularmente perturbador é que, cerca de um em cinco crianças e adolescentes norte-americanos, a obesidade é o distúrbio crônico mais comum e a gordura excessiva durante a juventude do indivíduo pode ser um risco para a saúde na vida adulta ainda maior que a obesidade que começa na idade madura. Seja qual for seu peso corporal final como adultos, as pessoas que possuem um peso excessivo na adolescência correm um risco maior para uma gama de enfermidades na condição de adultos que os adolescentes de peso normal.A obesidade representa, com freqüência, um processo a longo prazo. 

1.1 O QUE OBESIDADE?

Obesidade é uma alta porcentagem de gordura corporal, usualmente mais de 25% para homens e mais de 32% para mulheres.Se todas as pessoas mantivessem um peso ideal/adequado, reduzir-se-iam em 25% as coronariopatias e 35% as insuficiências cardíacas e AVCs, entretanto os fatores genéticos influenciam em 25% a obesidade e a cultura em 30%. Com bastante freqüência, a obesidade começa no início da infância. Isso não ocorre apenas por razões genéticas, mas também por causa dos hábitos precários da família em termos de dieta e de exercício. A gordura excessiva se manifesta também lentamente durante a vida adulta, com o período entre 25 e os 44 anos constituindo a época mais perigosa. No mundo ocidental, o homem comum de 35 anos ganha entre 0,2 e 0,8 Kg de gordura por ano até a sexta década de vida, apesar de uma redução progressiva na ingestão alimentar. As mulheres costumam ser as que ganham mais peso, com cerca de 14% delas aumentando mais de 13,60 Kg entre 25 e 34 anos. 

1.2 A OBESIDADE NÃO ESTÁ RELACIONADA NECESSARIAMENTE AO EXCESSO DE COMIDA

Com bastante freqüência, acredita-se que a principal causa da obesidade reside no excesso de comida. Se a obesidade fosse verdadeiramente um distúrbio unitário e a gula e o excesso de indulgência fossem os únicos fatores responsáveis pelo acúmulo de gordura, nesse caso a maneira mais fácil de reduzi-la permanentemente consistiria com certeza em limitar a ingestão de alimentos.

Evidentemente, se as coisas fossem tão simples, a obesidade em breve seria eliminada como um dos principais problemas de saúde. Obviamente, existem outros fatores operantes, como influências genéticas, ambientais, sociais e, talvez, raciais. As diferenças em fatores específicos também podem predispor os seres humanos para o aumento excessivo de peso. Esses fatores incluem padrões alimentares e o meio ambiente, o acondicionamento dos alimentos e a imagem corporal. Incluem também diferenças na taxa metabólica do repouso; termogênese de indução dietética; nível de atividade espontânea (“agitação”); temperatura corporal basal; níveis celulares de trifosfato de adenosina, lipoproteína lipase e outras enzimas, e tecido adiposo marrom metabolicamente ativo. Entretanto, as diferenças individuais na distribuição dos tipos de fibras musculares não parecem ser determinantes do conteúdo de gordura corporal, nem da distribuição de gorduras em homens e mulheres.

É digno de nota que, por si só, as anormalidades glandulares em geral, não são a causa da obesidade, com exceção de certos casos de endocrinopatia. Entretanto, apesar de a causa da obesidade apenas raramente estar ligada a aberrações hormonais, a obesidade pode desencadear uma ampla variedade de respostas hormonais anormais. 

1.3 A GENÉTICA DESEMPENHA ALGUM PAPEL

Nossa estrutura genética não causa necessariamente a obesidade, porém reduz o limiar para o surgimento da doença e contribui muito para a variabilidade no aumento de peso observado entre os indivíduos cuja alimentação diária contém excessos idênticos de energia. Em um meio ambiente capaz de produzir obesidade (sedentário e estressante, com acesso fácil ao alimento), o indivíduo geneticamente suscetível aumentará de peso, possivelmente num grau significativo.

GENE MUTANTE?

A pesquisa feita com uma cepa de camundongos que consegue alcançar cinco vezes a circunferência dos camundongos normais forneceu evidência em apoio da suposição de que algumas pessoas estão “destinadas” geneticamente a ficarem obesas. Sabemos que, o hipotálamo é a área do cérebro considerada como o centro de controle para o apetite. A conexão genética com a obesidade proporciona uma base lógica valiosa para poder encarar a condição obesa muito mais como uma doença que como alguma falha psicológica ou fraqueza de personalidade que poderia ser corrigida se a pessoa tivesse força de vontade suficiente. Nesse ponto ninguém convence a pessoa a fazer dieta, tem que partir dela mesma. Depois que a pessoa se torna obesa, é extremamente difícil conseguir uma redução permanente da gordura corporal.

1.4 ATIVIDADE FÍSICA: UM COMPONENTE IMPORTANTE
 
As observações de homens e mulheres mais velhos que preservam estilos de vida ativos sugerem que o padrão “normal” de aumento da gordura na vida adulta pode ser atenuado de maneira significativa. Para homens tanto jovens quanto de meia-idade que se exercitam regularmente, o tempo gasto na atividade física estava relacionado inversamente ao seu nível de gordura corporal. Curiosamente, não foi evidenciada qualquer relação entre a gordura corporal e a ingestão calórica.

Isso sugere que os maiores níveis de gordura corporal observados entre homens ativos de meia-idade, em comparação com seus congêneres mais jovens e mais ativos, representavam as conseqüências de um treinamento menos rigoroso e não de uma maior ingestão alimentar. 

2. SOBREPESO vERSUS OBESIDADE.

De acordo com GUEDES & GUEDES (1998), sobrepeso e obesidade são termos distintos, embora relacionados. Sobrepeso é tido como aumento excessivo do peso corporal total, o que pode ocorrer em conseqüência de modificações em apenas de um de seus constituintes (gordura, músculo, osso e água) ou em seu conjunto. Mas a obesidade refere-se especialmente ao aumento na quantidade generalizada ou localizada de gordura em relação ao peso corporal, associado a elevados riscos a saúde. 

2.1 TIPOS DE OBESIDADE.
 

A aparente heterogeneidade da obesidade humana tem resultado na identificação de vários subgrupos de indivíduos obesos. A identificação dos subgrupos é realizada mediante 5 critérios: (a) causas etiológicas; (b) quantidade de gordura em excesso; (c) características anatômicas do tecido adiposo; (d) distribuição regional da gordura corporal; e (e) época de seu início (GUEDES & GUEDES). 

2.2 CLASSIFICAÇÃO ETIOLÓGICA

Conceitualmente a obesidade é considerada como acúmulo excessivo de gordura no tecido adiposo, regionalizado ou em todo o corpo, desencadeado por uma série de fatores associados aos aspectos ambientais e/ou endócrino-metabólicos. A obesidade exógena reflete excesso de gordura corporal decorrente do equilíbrio energético positivo entre ingestão e demanda energética. Esse tipo de obesidade é responsável por provavelmente 98% dos casos. O restante 2% é a chamada obesidade endógena, com causas hormonais provenientes de alterações do metabolismo tireoideano, gonadal, hipotálamo-hipofisário, de tumores como o craniofaringeoma e as síndromes genéticas: Prader Willi e Lawrence Moon Biedl.

2.3 CLASSIFICAÇÃO SEGUNDO A QUANTIDADE DE GORDURA
 
Quando a quantidade de gordura corporal é excessivamente elevada, o diagnóstico da obesidade torna-se evidente, e habitualmente tem sido classificada como obesidade mórbida. Proporções de gordura corporal discretamente acima dos limites admissíveis tem sido definidas como obesidade leve. Entre esses dois extremos encontra-se o que se denomina de obesidade moderada e a elevada. 

Gordura

Relativa (%)

IMC (kg/m²)

Mulheres

Homens

Ambos os sexos

Leve

25-30

15-20

<27

Moderada

30-35

20-25

27-30

Elevada

35-40

25-30

30-45

mórbida

>40

>30

>45

Fonte: NIDDK(1993) apud GUEDES & GUEDES(1998).

2.4 CLASSIFICAÇÃO ANATÔMICA

No que se relaciona às características anatômicas do tecido adiposo, a obesidade pode ser caracterizada como hiperplásica ou hipertrófica. A obesidade hiperplásica é definida por número anormalmente acentuado de celulas adiposas no organismo. Indivíduos com quantidades de gordura dentro dos limites esperados apresentam entre 25 e 30 bilhões de células adiposas, enquanto obesos hiperplásicos podem ter entre 42 e 106 bilhões dessas células.

A obesidade hipertrófica está relacionada ao aumento no tamanho das células adiposas existentes. O tamanho das células adiposas de obesos hipertróficos pode alcançar, em média, dimensões 40% maiores se comparado com os não obesos. Quanto às complicações advindas do excesso de gordura, a obesidade hipertrófica parece estar mais estreitamente associada às disfunções metabólicas e a hipertensão que a obesidade hiperplásica.

Indivíduos que apresentam quantidades de gordura excessivamente elevadas quase sempre apresentam maior número de células adiposas. Contudo, aqueles que apresentam menores quantidades de gordura também podem ser hiperplásicos; porém, é mais provável que sejam somente hipertróficos.

2.5 CLASSIFICAÇÃO SEGUNDO A DISTRIBUIÇÃO REGIONAL DE GORDURA CORPORAL.

A localização da gordura corporal nas diferentes regiões anatômicas do corpo distingue a obesidade de acordo com tipos ginóide e andróide. A obesidade ginóide, também denominada de obesidade periférica, caracteriza-se por acúmulo de gordura predominantemente na metade inferior do corpo; enquanto a obesidade andróide, também chamada de obesidade central, apresenta acúmulo mais acentuado de gordura nas regiões do abdome, tronco, cintura escapular e pescoço.

A obesidade andróide, sob efeito hormonal da testosterona e de corticóides, manifesta-se sobretudo nos homens; enquanto a obesidade ginóide, sob efeito hormonal dos estrógenos, acumula-se principalmente nas mulheres. Raro mas não excepcional, o sexo masculino também pode ser atingido pela obesidade ginóide, da mesma maneira que o sexo feminino pela obesidade andróide. Isso pode ocorrer, em indivíduos excessivamente obesos, quando a diferenciação sexual quanto à gordura tende a desaparecer.

2.6 CLASSIFICAÇÃO SEGUNDO A ÉPOCA DE INÍCIO.

A obesidade progressiva se caracteriza pelo aumento gradual da quantidade de gordura desde as idades mais precoces até o estágio adulto. Os períodos críticos de surgimento da obesidade progressiva são aos 12 primeiros meses de vida, na fase pré-escolar e na puberdade. A forma mais grave inicia-se neste último período e, a partir de então segue progressivamente. A obesidade progressiva se associa à obesidade hiperplásica, o que dificulta extraordinariamente o controle do peso corporal na idade adulta. A obesidade que se manifesta na idade adulta tende a apresentar características hipertróficas, e portanto, é mais suscetível à reversão.

3. PREVALÊNCIA DO SOBREPESO E DA OBESIDADE.

3.1 PREVALÊNCIA DO SOBREPESO E DA OBESIDADE EM PAÍSES INDUSTRIALIZADOS.

Nos Estados Unidos, especialistas reunidos pelos National Institutes of health estimaram que entre 33 e 40 por cento das mulheres adultas e 20 a 24 por cento dos homens, em algum momento da vida, tentam perder peso. Atualmente, cerca de um em cada três norte- americanos adultos é classificado como obeso, enquanto cerca de dois terços pesam mais do que deveriam, entre adolescentes, um em cada cinco é classificado como acima do peso (NIEMAN, 1999).

Segundo GUEDES & GUEDES (1998), 33% da população adulta norte-americana apresenta sobrepeso, e 14% dela sobrepeso elevado. A prevalência do sobrepeso varia consideravelmente em relação à idade, ao sexo, ao grupo racial e ao nível socioeconômico. Os dados analisados mostram que a proporção de sobrepeso na população aumenta com a idade, com os mais altos índices tendo ocorrido aos 60-69 anos entre os homens, e aos 50-59 anos entre as mulheres. A proporção de mulheres negras com sobrepeso é substancialmente maior que as brancas; porém essas diferenças raciais são maiores ou inversas entre os homens. Quanto às condições socioeconômicas o excesso de peso corporal foi de 7 a 12 vezes mais freqüente nas mulheres de classes sociais inferiores.

Entre homens, a influência das condições socioeconômicas, apesar de existir foi menor. Existem ainda indícios de que a prevalência do sobrepeso nessa população, no período de 1988-91, foi substancialmente maior em comparação com o período de 1971-74. A prevalência da obesidade e do sobrepeso é mais elevada nos Estados Unidos e no Canadá que nos países europeus.

3.2 PREVALÊNCIA DO SOBREPESO E DA OBESIDADE NA POPULAÇÃO BRASILEIRA.
Em nosso país, ainda que sejam necessárias estatísticas mais aprimoradas, é cada vez mais evidente a “americanização” dos hábitos alimentares, o que, aliado à progressiva redução de atividade física do cotidiano em razão da mecanização e do avanço tecnológico de nossa sociedade, torna possível prognosticar paulatino aumento na prevalência da obesidade e do sobrepeso nos diferentes segmentos da população brasileira.Dados preliminares produzidos pelo Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição mostram que aproximadamente 32% da população adulta brasileira apresentam algum grau de sobrepeso, especialmente nas classes menos favorecidas. Destes, 8% tem excesso de peso corporal acentuado ou obesidade.

Enquanto 27% da população de homens adultos apresentam algum grau de excesso de peso corporal, essa prevalência alcançou 38% das mulheres. A situação mais crítica é encontrada na região sul, seguido pela região sudeste. A proporção de sobrepeso e da obesidade eleva-se gradativamente com a idade, atingindo maior prevalência no grupo de 45 a 55 anos, em que 37% dos homens e 55% das mulheres apresentam peso corporal acima do limites esperados. Nos últimos 15 anos a população brasileira de obesos praticamente dobrou, e o maior aumento ocorreu entre os homens.

4. TERIA DO PONTO DE AJUSTE

Os indivíduos obesos apresentam uma grande dificuldade em manter um peso reduzido; a tendência de uma pessoa voltar a certo peso sugere que há um ponto de ajuste biológico do peso corporal. Apesar de o hipotálamo conter centros associados à saciedade e ao comportamento alimentar, devemo-nos lembrar de que o ponto de ajuste do peso corporal é um conceito e não uma realidade. Os sinais biológicos referentes à glicemia, aos estoques de lipídio ou ao peso sobre os pés fornecem estímulo ao hipotálamo. Se os sinais coletivos indicarem baixos estoques de energia, a ingestão alimentar é estimulada até que a fonte do sinal seja diminuída e os estoques de energia se equiparem ao ponto de ajuste. Como qualquer sistema de controle biológico, se o ponto de ajuste precisa ser aumentado, o peso corporal deve aumentar para atingir esse novo valor. O exercício pode modificar os sinais que vão para o hipotálamo, e o tipo de dieta também pode influenciar o comportamento alimentar.

Em contraste com o modelo fisiológico, o modelo do ponto de ajuste de Booth se ocupa do papel do meio ambiente (cultura, classe socioeconômica etc.) sobre o peso corporal . Estamos sempre recebendo uma variedade de sinais cognitivos sobre nossa aparência, peso corporal, tamanho das roupas, percepções de esforços e preocupação com a saúde. Um desajuste entre o ponto de ajuste “ideal” e essas percepções leva a um comportamento alimentar apropriado. O exercício pode modificar os sinais e o tipo de dieta pode influenciar o comportamento alimentar. Esse modelo de ponto de ajuste está intimamente ligado ao método de modificação comportamental em relação à dieta, ao exercício e ao controle de peso.

5. PERIGOS À SAÚDE

O excesso de peso contribui para a tendência acentuada do aparecimento de males como o diabetes , problemas cardiovasculares, distúrbios sobre a ossatura – principalmente coluna vertebral – falta de ar. E ainda sobrecarga o aparelho digestivo, deixando a pessoa prostrada e sonolenta.Para encarar de frente a extensão do problema da obesidade é necessário partir de um lado que a pesquisa médica apresenta como incontestável: a duração da vida de um obeso é em geral menor do que a dos indivíduos de peso satisfatório.

Além disso, nem sempre a obesidade se faz acompanhar dos chamados grandes males, como a hipertensão arterial, a arteriosclerose e as formas mais graves de diabetes, entre outros – para que eles ocorram (desencadeados pelo excesso de gordura ) constatou-se ser necessária uma predisposição hereditária. No caso das mulheres, nelas; o excesso de peso não provoca, em geral, doenças tão sérias que entre o início da obesidade o surgimento de suas complicações mais alarmantes,há sempre um prazo de tempo razoavelmente longo , variando, de indivíduo, numa média de 10 a 20 anos.

5.1 O DIABETES

Para os grandes obesos, o excesso de peso provoca sérios distúrbios no mecanismo de glicorregulação responsáveis pela estabilidade dos níveis de açúcar no sangue o que exige do pâncreas uma produção forçada de quantidades maiores de insulina para fazer baixar a concentração de açúcar.

Esse esforço anormal da glândula pancreática acaba por abalar seriamente seu funcionamento e, em casos de obesidade prolongada, o diabetes agrava-se e se torna impossível eliminá-lo mesmo se houver uma considerável perda de peso.

5.2 PROBLEMAS CARDIOVASCULARES

Os obesos masculinos o desenvolvimento é da arteriosclerose (endurecimento das artérias), com as suas perigosas conseqüências: a angina pectoris (dor muito intensa no peito, geralmente espalhada pelo braço esquerdo causada por bloqueio circular na parte muscular do coração). A trombose coronária, em que ocorre o surgimento de coagulação na artéria irrigadora do coração.

Além dessas afecções, são muito comuns entre portadores de excesso de gordura as arterites (inflamação das artérias) dos membros inferiores.também se faz seguir da hipertensão arterial, em especial em homens com mais de 40 anos.
Não se sabe com exatidão como a sobrecarga de gordura atua para provocar a hipertensão, mais duas hipóteses são bem prováveis – o acréscimo de camadas gordurosas criaria maior resistência nas vizinhanças das artérias obrigando a um aumento proporcional da pressão sanguínea, ou então com o maior volume corporal ocorreria o aumento das áreas a irrigar o que provocaria o mesmo efeito.Como responsável mecânico pelo bombeamento do sangue através do coração mais cedo ou mais tarde sofrerá o efeito os efeitos da sobrecarga de gordura.

Proporcionalmente ao aumento da área a ser atingida pela circulação sanguínea, ocorre um esforço anormal do trabalho cardíaco que é também obrigado a bombear um volume sanguíneo maior. O tecido gorduroso que envolve o coração lhe aumentará o volume,dificultando a sua ação.

É relativamente fácil reconhecer em um obeso avantajado os sinais de perturbações cardíacas: instala-se um quadro de fadiga ao menor esforço variações para mais do ritmo de pulsação e, geralmente ao final do dia , nota-se o aparecimento de leve inchaço nas pernas.

Nas mulheres, em particular, cabem no quadro de perturbações cardiovasculares geradas pela obesidade, as varizes , que são mais freqüentes nos obesos. As chamadas úlceras varicosas (feridas subseqüentes a varizes muito adiantadas).

5.3 DISTÚRBIOS ÓSSEOS

Não são muitos conhecidos vulgarmente os efeitos danosos da obesidade sobre a estrutura do esqueleto e das articulações. A obesidade infantil traz consigo distúrbios no crescimento da coluna vertebral e nas extremidades ósseas dos membros inferiores.Nos adultos , a articulação entre a parte superior da bacia e o dorso responsável pela sustentação da parte superior do corpo, é fêmures, chegando até á degeneração do mecanismo articulatório e dificultando grandemente o andar.

5.4 COMPLICAÇÕES RESPIRATÓRIAS

A mais costumeira complicação respiratória nos obesos , é a falta de ar (dispinéia).A volumosa massa de gordura abdominal comprime para cima o diafragma, dificultando o movimento dos pulmões durante a inspiração.

5.5 PROBLEMAS DIGESTIVOS:

São várias as complicações nos obesos. A azia acompanha cerca de 1/3 deles, em resultado dos esforços redobrados do trabalho estomacal. Em termos intestinais (prisão de ventre) , o pâncreas , excesso de trabalho exigido por ele na produção de suco digestivo como a insulina. Ocorrência de cálculos na vesícula biliar (pedra).

6. EXERCÍCIO E OBESIDADE

6.1 MUSCULAÇÃO E MOBILIZAÇÃO DE GORDURA

As calorias necessárias para o metabolismo basal correspondem a mais de 70% do nosso gasto calórico diário. Qualquer atividade física contribui para o emagrecimento por gastar calorias; e exercícios com pesos e exercícios aeróbios não tem um gasto calórico diferente. Os exercícios com pesos gastam mais calorias na unidade de tempo, mas são interrompidos durante a sessão, e no descanso entre as séries não se gastam calorias com atividade.

Os exercícios aeróbios gastam menos calorias na unidade de tempo, mas são contínuos, sem interrupção. Após uma hora, por exemplo, ambos gastaram mais ou menos a mesma quantidade de calorias. Para o gasto calórico, mais importante do que o tipo de exercício é a condição física do praticante. Pessoas treinadas gastam muito mais calorias do que as descondicionadas, em qualquer tipo de exercício.

Um aspecto importante do emagrecimento é que a taxa metabólica basal pode ser aumentada com os exercícios, mas apenas se ocorrer aumento da massa muscular. Para tanto, os exercícios com pesos são os mais eficientes. O fato de que apenas exercícios aeróbios utilizam ácido graxo livre proveniente do tecido adiposo como substrato energético nada tem a ver com emagrecimento. Já os exercícios anaeróbios que utilizam grandes quantidades de glicogênio e não mobilizam gordura durante sua execução, também emagrecem. A explicação é que após os exercícios, todo o glicogênio gasto tem que ser reposto no músculo, e para tanto, é utilizado o carboidrato alimentar.

Esse carboidrato, portanto, não oferece calorias para o metabolismo basal, pois foi “desviado” para o músculo, e tudo se passa como se passa como se a pessoa não o tivesse ingerido. Assim sendo, as calorias que faltaram na alimentação, para o metabolismo basal, serão obtidas no tecido adiposo, em repouso. Caso a pessoa não restrinja a ingestão calórica os exercícios serão menos eficientes ou inúteis para o emagrecimento.

Esses conceitos foram bem estabelecidos em revisões de literatura sobre obesidade e atualmente são consensuais (SANTARÉM, 2003).Numa situação de estresse o cortisol e as catecolaminas fazem com que a gordura se acumule, para tanto, deve-se relaxar, praticando uma atividade que proporcione prazer, para liberar a ação do cortisol e catecolaminas. A qualidade de sono deve ser boa, pois é a noite que os hormônios anabólicos agem para quebras os lipídios. A musculação emagrece metaboliza grande quantidade de calorias em treinos intensos; aumenta o volume muscular, aumentando assim o metabolismo basal; aumentando o metabolismo basal, metaboliza-se calorias em repouso; aumenta a concentração de hormônios lipolíticos, como GH e testosterona (BARROS, 2003).

7. Referências Bibliográficas

NIEMAN, D.C., Dr. PH. Exercício e Saúde- Como se prevenir de doenças usando o exercício como seu medicamento.São Paulo- Editora Manole, 1999.
POWERS, S.R & HOWLEY, E.T. Fisiologia do Exercício: Teoria e Aplicação ao Condicionamento e ao Desempenho. 3.a Edição. São Paulo- Editora Manole, 1997.
GUEDES, D.P & GUEDES, J.E.R.P Controle Do Peso Corporal- Composição Corporal, Atividade Física e Nutrição.Paraná- Editora Midiograf, 1998
SPANGHERO, M.F. Obesidade, Editora____, Ano___
SANTARÉM, J.M. Fisiologia dos Exercícios Resistidos in: www.saudetotal.com/cecafi Acesso em 10/05/2003
BARROS, R. Anotações do Curso: Meeting de Musculação- Palestra sobre Obesidade. Poços de Caldas, MG, Encontro Nacional de Atividade Física - ENAF, 1.º a 04 de maio de 2003.




2008 © Copyright - Todos os direitos reservados - PEP Programa de Educação Postural - Desenvolvido Agência Oregon