Para Bricot, uma postura é considerada normal quando há ausência de forças contrárias atuando sobre ela, dessa forma não existirá dor. Para ele, menos de 10% da população apresenta uma postura considerada normal, e os que a tem quase nunca apresentam dores (1999, p. 25).
Weerdt e Spaepen conceituam postura simplesmente como uma representação da posição geral do corpo e membros em relação uns aos outros, e sua orientação no espaço. “Ajustes posturais são necessários para todas as tarefas motoras e precisam ser integrados aos movimentos voluntários” (2001, p.206).
Ainda sobre a definição de postura, Guida se manifesta da seguinte forma:
Postura pode ser definida como uma posição corporal com características individuais, mantida pela atividade muscular contra a força da gravidade, intimamente relacionada com a personalidade, a manifestação do emocional e influenciável por variáveis circunstâncias (2005, p. 175-176).
Para complementar, Rosa et al. afirmam que “para se ter uma postura normal é necessário um sistema muscular equilibrado onde a manutenção de uma postura inadequada, causada por algum desequilíbrio, gera mudanças estruturais do músculo estriado esquelético e no tecido conjuntivo como forma de adaptação funcional. Estas alterações causam uma diminuição no arco de movimento, proporcionando lesões, dor e diminuição na força de contração máxima” (2002, p. 100).
Para Tribastone, a partir do momento que se assume a postura ereta, três fatores podem influenciá-la: os valores hereditários e familiares; a doença; e a reatividade psicofísica emocional, hábitos e o exercício físico (2001, p. 21).
Guida ressalta que a postura humana é influenciada por muitas variáveis, dentre as quais o autor cita os fatores: “genéticos (hereditários ou congênitos), sociais, culturais, estruturais, hábitos, modismos, indumentárias, emocionais, desequilíbrios musculares, doenças, cirurgias, traumatismos, personalidade, situações/circunstâncias etc.” (2005, p. 176).
O objeto de estudo dessa pesquisa será relacionado com a má postura adquirida devido a vícios posturais. Kavalco, apud Martelli e Traebert, afirma que “as alterações posturais relacionadas às posturas inadequadas são distúrbios anátomo-fisiológicos que se manifestam geralmente na fase de adolescência e pré-adolescência, pois é o período em que há o estirão de crescimento” (2006, p. 88).
As possibilidades de correção da postura em ambiente escolar
Knoplich, citado por Zapater et al., explica que são preocupantes os hábitos posturais incorretos adotados desde o ensino fundamental, “pelo fato de serem crianças, e não adultos, o esqueleto está em fase de formação, sendo mais susceptível a deformações e as estruturas músculo-esqueléticas apresentando menor suportabilidade à carga” (2004, p. 192).
Deve-se levar em consideração também o mobiliário utilizado nas escolas que nem sempre são compatíveis com o tamanho das crianças. Kendall sugere que a cadeira e a escrivaninha devem se adequar à criança e não o contrário (2007, p. 97). Na teoria isso parece simples e banal, mas infelizmente a realidade das escolas mostra que não é assim tão fácil. A realidade apresenta cadeiras e escrivaninhas absolutamente desproporcionais às necessidades dos alunos que as usam sem qualquer possibilidade de ajustes.
Soma-se a isso que as crianças passam boa parte de suas vidas sentadas em bancos escolares, cerca de quatro a cinco horas por dia. Segundo Paulsen e Hensen, citados por Zapater et al., é “altamente desaconselhável permanecer sentado por mais de 45 a 50 minutos sem interrupções” (2004, p. 192). Quanto a isso, Kramer, apud Braccialli e Vilarta, sugere a utilização de intervalos e mudanças de posturas durante as atividades de trabalho o que garantirá uma boa hidratação do disco intervertebral (2000, p. 167).
Para Kendall, é importante para compreender a dor em relação à postura defeituosa que os “efeitos cumulativos de pequenos estresses constantes ou repetidos durante um longo período podem dar origem ao mesmo tipo de dificuldades que surge com o estresse súbito e intenso” (2007, p. 52).
Achour Jr. considera que o professor pode propor exercícios de alongamento no banco escolar para compensar as posturas inapropriadas (2004, p. 28). O mesmo autor, em obra mais atual, considera uma utopia o fato de acreditar que apenas o alongamento vai aliviar todas as tensões musculares, além disso, deve-se ter o cuidado com as posturas na vida diária. O autor frisa ainda que o tempo que se permanece em determinada postura no dia-a-dia é muito maior do que aquele que se dedica a uma postura de alongamento, por isso a necessidade de além de alongar-se procurar manter-se em uma boa postura (2006, p. 513).
Outra orientação útil considerada pelo autor é propor a interrupção de determinada atividade ao se experimentar tensão e incômodo muscular (2004, p. 31). O autor aponta ainda a importância de encorajar já no ambiente escolar um estilo de vida ativo (2004, p. 37).
Rosa et al. sugerem que, para reverter esse processo de manutenção de uma postura inadequada, “o exercício parecer ser a chave para dar ao tecido muscular estriado esquelético as propriedades funcionais e estruturais ideais para um melhor desempenho das atividades de vida diária”(2002, p. 102).
Daí a importância de desenvolver bons hábitos posturais desde a infância e adolescência. Para isso não existe melhor lugar do que a própria escola. Pois é a própria escola, conforme Zapater et al., “o espaço responsável pela formalização da educação e pelo processo ensino-aprendizagem e que são nos primeiros anos de vida escolar, quando a criança ainda se encontra em fase de crescimento, o melhor momento de iniciar um trabalho de prevenção de problemas músculo-esqueléticos, tornando-os mais eficientes” (2004, p. 193).
Knüsel e Jelk, apud Braccialli e Vilarta, afirmam que “um trabalho de orientação aos professores das escolas primárias sobre a importância da profilaxia e prevenção das dores nas costas, devido a posturas pobres, teria um grande efeito na redução de alterações posturais no adulto” (2000, p. 168).
Tribastone sugere que modificar o esquema postural incorreto é oportuno e necessário. Para isso ele considera necessário:
a) informar o indivíduo do esquema errado pela tomada de consciência da postura alterada;
b) promover a aquisição de uma postura correta por meio de ações educativas progressivas, com modificações das respostas dos vários receptores, para a criação de novos esquemas posturais corretos. Isso pode ser alcançado por meio de:
- dissociação das incorretas sinergias preexistentes;
- escolha das combinações motoras úteis;
- montagem da nova unidade operativa.
c)tentar corrigir o esquema incorreto com meios de várias naturezas (exercícios de equilíbrio, esquema corporal, educação respiratória etc.) (2001, p. 27 – grifos no original).
Rebelatto et al., citados por Zapater et al., afirmam que é fundamental ter em mente que as estruturas que compõem a unidade vertebral, entre elas ligamentos e disco intervertebral, “sofrem um processo de degeneração ao longo da vida e não possuem mecanismos de regeneração” (2004, p. 192). Por isso, é importante não sobrecarregar excessivamente e sem necessidade a coluna vertebral, sabendo que existem meios de cultivar bons hábitos posturais.
Bruschini, apud Martelli e Traebert, alerta que é muito importante “a detecção precoce e a prevenção desses problemas, associados às orientações quanto à postura correta, pois a maioria dos problemas é decorrente de etiologia idiopática e devida à má postura durante as atividades de vida diária” (2006, p. 88). O mesmo autor afirma ainda que a idade escolar é a fase ideal para recuperar disfunções da coluna de maneira eficaz (2006, p. 89).
Adler et al., apud Martelli e Traeber, determinam que manter uma boa postura na infância e corrigir precocemente os desvios posturais que possam surgir aumentam as chances de adquirir padrões posturais corretos na vida adulta, pois é esse o período mais importante do desenvolvimento músculo-esquelético do indivíduo. E é nessa fase a maior probabilidade de prevenção e até mesmo tratamento dessas alterações posturais na coluna vertebral. Na maturidade os problemas podem se tornar irreversíveis e sem tratamento específico.
(2006, p. 88-89).
METODOLOGIA
A pesquisa consiste num experimento assistido a ser realizado em ambiente escolar. Será desenvolvido em várias etapas, que envolvem desde o reconhecimento dos problemas existentes até o trabalho de conscientização.
População e amostra
A pesquisa será aplicada em uma escola (a determinar) e com apenas algumas turmas (quantas e quais séries a determinar). A pré-condição para aplicar a pesquisa em uma determinada turma é que exista em duas vezes na semana, uma mesma matéria com dois períodos consecutivos. Por exemplo: na terça-feira tem dois períodos consecutivos de matemática e na quinta-feira tem dois períodos consecutivos de matemática.
Etapas e procedimentos do estudo
O experimento parte das recomendações de Tribastone (2001), que sugere um conjunto de etapas que começam pela tomada de consciência, passam por ações educativas progressivas e culminam com a utilização de vários meios para corrigir os esquemas incorretos. A partir deste referencial, o estudo a ser desenvolvido consiste de seis etapas, descritas a seguir.
Primeira etapa: Reconhecimento de campo pelo pesquisador
Será feita uma pesquisa de campo, onde a pesquisadora irá (com consentimento dos professores) escolher algumas turmas (que não aquelas que farão parte da pesquisa) para observar quais são os principais vícios posturais existentes dentro da sala de aula. O objetivo central desta etapa é identificar indicadores de problemas posturais que podem ser posteriormente verificados pelos professores.
A partir disso, estará fazendo anotações referentes ao que mais especificamente irá trabalhar mais tarde em diferentes passos da pesquisa. A utilização para essa observação de turmas que não farão parte da pesquisa se deve ao fato de que os professores em um primeiro momento estarão fazendo uma intervenção sem os alunos saberem e em um segundo momento os alunos estarão sabendo da intervenção. Essa estratégia servirá para evitar que os alunos desconfiem de uma pessoa estranha em seu ambiente e associem o fato a mudança das aulas sem explicação.
As anotações de campo servirão de base para a elaboração de um roteiro de observações a ser utilizado pelo professor em sala de aula.
Segunda etapa: Experimento inicial do professor
Durante a primeira semana do experimento, orientados pela pesquisadora e com base nos apontamentos da primeira, trabalharão no sistema normal de dois períodos consecutivos sem descanso. A única coisa que farão é observar e apontar os problemas posturais existentes, a partir de planilha fornecida pela pesquisadora. Na segunda semana, inserirão um pequeno intervalo, de dois a três minutos, permitindo que os alunos levantem-se da cadeira, se espreguicem e caminhem pela sala. No final do período, apontarão os problemas posturais identificados.
Estes apontamentos permitirão fazer uma pré-avaliação da eventual evolução das atitudes posturais.
Terceira etapa: Avaliação preliminar do professor
Os professores deverão avaliar (durante o decorrer dessas aulas) o que sentiram de diferença entre uma aula e outra. Como foi o rendimento? O grau de interesse e atenção? A participação em aula dos alunos. Em qual das aulas eles sentiram um melhor resultado? Os professores estarão compartilhando essas observações com a pesquisadora.
Quarta etapa: Início da intervenção da pesquisadora
A pesquisadora realiza uma palestra geral sobre a importância de uma boa postura para a saúde geral e para o futuro. Nessa mesma palestra, falará sobre as últimas aulas que estavam acontecendo e perguntará para os alunos o que eles perceberam e quais suas opiniões a respeito. Alguns dos assuntos que serão abordados na palestra são:
- A importância de bons hábitos posturais;
- As curvaturas normais e anormais da coluna vertebral;
- O que acarreta a acentuação ou a retificação da coluna;
- Os vícios posturais;
- A postura sentada e suas implicações;
- O excesso de peso nas mochilas, a forma de carregá-las;
- A postura em atividades do dia-a-dia.
Os temas e a forma como serão apresentados será de acordo com a faixa etária de cada turma (a definir).
Quinta etapa: Orientações em sala de aula
A pesquisadora passará de turma em turma (participantes da pesquisa) dando orientações acerca de movimentos de compensação que os alunos deverão realizar nos intervalos que serão propostos durante os períodos.
Sexta etapa: Implantação do projeto de intervenção
Os intervalos de dois a três minutos (apenas para relaxar a musculatura) serão implantados como experimento durante dois meses em todas as aulas. Neste momento, os alunos já estão sabendo o porquê desses intervalos e já deverão estar conscientes do trabalho e atentos aos resultados.
Avaliação final
Serão utilizados dois questionários: um para os alunos e outro para os professores. Estes questionários serão aprimorados durante a etapa em que a pesquisadora estará observando os alunos. Os questionamentos buscarão identificar opiniões sobre a experiência, especialmente as mudanças ocorridas, não só em termos posturais, mas também em variáveis como atenção e participação em aula.
Os dados quantitativos serão submetidos à análise estatística descritiva, especialmente contagem de freqüência e cálculos de percentuais. Os dados qualitativos serão analisados através de técnicas de análise de conteúdo.
RECURSOS E CRONOGRAMA
Recursos materiais – projetor multimídia ou retroprojetor, telão, folhas, salas de aula, sala para palestra, quadro e canetas e/ou giz, pôsteres sobre o esqueleto humano, sistema muscular e coluna vertebral.
Recursos humanos – pesquisadora, alunos, professores e direção.
Cronograma
Etapa |
2007/2 |
Jul. |
Ago. |
Set. |
Out. |
Nov. |
Dez. |
Revisão bibliográfica |
X |
X |
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Etapa 1: Pesquisa de campo (coleta de informações) – 1 semana |
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X |
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Síntese do trabalho de campo e orientação professores - 1 semana |
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X |
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Etapa 2: 2 períodos: com intervalo e sem intervalo – 2 semanas |
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X |
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Etapa 3: avaliação pelos professores |
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X |
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Etapa 4: Palestra – 1 dia |
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X |
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Etapa 5: Orientações em cada turma
1 semana |
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X |
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Etapa 6: Intervenção – 2 meses |
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X |
X |
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Questionário de Avaliação |
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X |
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Interpretação dos questionários |
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X |
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Redação parte prática |
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X |
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Revisão e ajustes |
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X |
X |
Ajustes finais |
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X |
REFERÊNCIAS
ACHOUR JUNIOR, Abdallah. Exercícios de alongamento: anatomia e fisiologia. 2ª ed. Barueri, SP: Manole, 2006.
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