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ESPAÇO SAÚDE


GENÉRICOS SÃO IGNORADOS


Legislação que autorizou medicamento alternativo no Brasil completa sete anos hoje, mas enfrenta resistência dos médicos. Divulgação pelo Ministério da Saúde é insuficiente
 
 A lei que regularizou os medicamentos genéricos no Brasil completa hoje sete anos, mas a maior parte das receitas assinadas pelos médicos da rede privada da Grande Belo Horizonte indica aos pacientes apenas os remédios de marca. O alerta é do Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais (Sinfarmig) e do Conselho Regional de Farmácia. Segundo um levantamento feito pelas duas entidades, 69,5% das prescrições não fazem qualquer referência aos genéricos. O estudo avaliou 260 receitas emitidas em julho de 2005, e o sindicato e o conselho garantem que a situação não sofreu alteração relevante desde então. 
 
 “O mercado de genéricos ainda é incipiente. Esperava-se, nestes sete anos, um salto mais significativo. Eles representam apenas de 10% a 12% de um mercado de medicamentos que movimenta cerca de R$ 22 bilhões a cada ano”, lamenta o farmacêutico Rilke Novato, diretor do Sinfarmig. Ele afirma que a resistência dos médicos da iniciativa privada em receitarem os genéricos está na complicada nomenclatura de boa parte desse tipo de medicamento. 
 
 Um dos exemplo citados pelo farmacêutico é o comprimido Clavulin, usado para tratar otite média em crianças: “O seu genérico é o amoxicilina clavulanato de potássio. Olha que nome! É por isso que muitos médicos optam pela nomenclatura mais fácil”. A grafia pode até ser complicada, mas enquanto o tratamento mensal com o remédio de marca sai a R$ 133,32 (preço médio nas farmácias), o genérico de nome complicado é vendido por bem menos, a R$ 84,24. “O cidadão tem que exigir do médico a prescrição em genérico também”, reforça. 
 
 Márcia Braga, de 34 anos, sabe muito bem o quanto essa diferença de preços pesa no bolso. Ontem, ela apresentou ao balconista de uma drogaria a receita emitida por sua médica para comprar uma caixa com 20 comprimidos de propranolol, usado contra enxaqueca. O medicamento custa R$ 4,40, o mesmo preço do seu genérico, o cloridrato de propranolol, mas com o dobro de comprimidos. Diante da diferença, ela levou o mais vantajoso. “Confio no genérico. Mesmo não tendo o nome dele na receita, sabia que ele existe”, justificou. 
 
 Já o médico Paulo Behrens, diretor do Conselho Regional de Medicina (CRM), questiona a estatística apresentada pelas entidades dos farmacêuticos. Ele disse que não pode fazer uma avaliação a fundo do percentual de 69,5% por não conhecer a metodologia em que o estudo foi submetido. Por outro lado, fez questão de dizer que é a favor dos medicamentos alternativos. “Entendemos que o genérico veio para ficar e é uma boa para a população brasileira. Apoiamos a medida dos genéricos, que contribuiu muito para a melhoria da saúde. Mas não conheço a pesquisa, que tem que obedecer rigores científicos para ter credibilidade. Questiono essa estatística”, reiterou. 
 
 OUTROS FATORES O diretor do Sinfarmig reconhece, porém, que a resistência de alguns médicos não é o único obstáculo para que os genéricos tenham maior venda entre a população. Outros fatores também devem ser analisados, como a pouca divulgação dos genéricos pelo Ministério da Saúde. Outro obstáculo, na sua avaliação, é a falta de pressão, também pelo governo federal, para que os laboratórios ampliem o leque de fabricação desse tipo de produto. “Foram registrados no Ministério da Saúde mais de 7,5 mil representações (para fabricação de genéricos), mas só 1,6 mil tipos estão sendo comercializados”, afirma Novato. 
 
 A também farmacêutica Adriana Rodrigues, do Conselho Regional de Farmácia, acrescenta mais uma dificuldade para proliferação dos genéricos: “A população também tem a cultura de que os genéricos não têm os mesmos efeitos que os medicamentos de referência”. O auxiliar de escritório Cassiano Gonçalves Lourenço, de 23, que mora no Planalto, na região do Venda Nova, é um que faz parte dessa lista. “Acho que tem genérico que não faz efeito nenhum. Aí, vou no de marca”. 
 
 Fonte: Estado de Minas, 10/02/06 





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