O objetivo do programa de atividade física para a futura mamãe, não é condicionar fisicamente. Cabe ao Educador Físico escolher o programa mais adequado a cada fase da gestação e adaptá-lo criteriosamente às necessidade da gestante.
Faz-se importante identificar através de uma Anamnese os desequilíbrios emocionais das gestantes quando houver, suas limitações físicas, a atividade profissional, convivência familiar e orientá-la a vivenciar esta fase em grande harmonia, evitando desconfortos físicos e emocionais.
Ao educador físico, também depende o bem-nascer da criança, resultado do programa que irá aplicar a futura mamãe.
Durante a gestação cabe ao Educador Físico, transmitir-lhe segurança e tranqüilidade, ajudando-a a entender e, principalmente, participando de todas as etapas, dificuldades e prazeres desta fase maravilhosa.
1. AVALIAÇÃO MÉDICA
Antes de iniciar o programa de exercícios, a gestante deverá ser encaminhada por seu obstetra a um exame de ultra-sonografia, avaliação cardiológica, com eletrocardiograma e avaliação clínica geral, como palpação da tireóide, baço, fígado, rins e outras recomendações clínicas necessárias.
Só após a liberação médica, a gestante irá submeter-se à atividade física, visando exercícios adequados ao seu período de gestação.
O educador físico deverá anotar semanalmente o rendimento da gestante no programa de atividade física e comunicar imediatamente ao médico sobre quaisquer alterações significativas.
2. CUIDADO BÁSICO COM A FC MATERNA
A F.C. materna deverá ser preconizada com o limite máximo de 140 bpm ou respeitando a intensidade de 70% do VO2 max. Se não for possível sua verificação direta, deverá ser adotada a seguinte tabela:
220 - idade x 70% = zona de treinamento
Uma freqüência cardíaca materna elevada durante os exercícios pode causar um aumento na temperatura corporal fetal, proporcionando riscos e comprometimentos na integridade de seu desenvolvimento neurológico.
A FC deverá ser mensurada com freqüência durante a realização dos exercícios ou monitorizada com aparelhos específicos - tipo polar - onde os limites são pré-estabelecidos e, ao ser atingido, o monitor soa um alarme. Assim, a paciente reduz a intensidade do exercício imediatamente, evitando possíveis prejuízos à saúde fetal.
3. CUIDADOS COM A ADOÇÃO DAS POSTURAS DURANTE OS EXERCÍCIOS
Esse é um dos principais cuidados a serem tomados durante os exercícios, para que não se tornem prejudiciais ao sistema muscoesquelético da gestante.
Nunca deverão ser realizados exercícios que favoreçam a acentuação das curvaturas da coluna vertebral lombar e dorsal da paciente, já que normalmente são acentuadas com a evolução da gestação.
Exercícios que exijam grandes amplitudes articulares devem ser evitados.
Exercícios de quatro apoios (em solo) devem ser evitados.
Cuidado com os exercícios abdominais, podemos fortalecer a musculatura abdominal sem exigir demais da gestante. O objetivo dos exercícios abdominais, está em auxiliar o parto. Não está voltado diretamente para a estética da mamãe.
Exercícios realizados em pé e em decúbito dorsal podem ser realizados mas alternado com outros posicionamentos, evitando assim a hipotensão supina e a hipotensão postural.
Com freqüência, o professor deve alertar a gestante quanto a postura correta na realização dos exercícios, evitando assim possíveis traumas articulares.
4. ALONGAMENTOS
Devem ter como objetivo manter a tonicidade e relaxamento muscular, nunca o aumento da flexibilidade. Assim, devem ser evitados movimentos de insistência (balanço) ou que exijam grandes amplitudes articulares.
5. EXERCÍCIOS RESPIRATÓRIOS
a) Respiração torácica profunda
Expande o tórax na sua porção superior. Este é o padrão respiratório típico ao final da gestação.
Deve-se praticá-la com pouca intensidade. É usada para conscientizar os padrões respiratórios da gestante.
TÉCNICA - Inspirar pelo nariz, lenta e profundamente, procurando, expandir somente o tórax (o diafragma movimenta-se).
Expirar lenta e suavemente pela boca como se estivesse apagando uma vela. |
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b) Respiração abdominal
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Expande o tórax na sua porção inferior. Pode favorecer com o rebaixamento diafragmático, prisões de ventre e estímulo das funções renais e intestinais. Favorece também o relaxamento.
Padrão respiratório que deverá ser adotado regularmente, principalmente em período de trabalho de parto, relaxando a gestante e melhorando sua oxigenação sangüínea. |
TÉCNICA - Inspirar pelo nariz lenta e profundamente, procurando dilatar o abdômen. Expirar pela boca como se estivesse apagando uma vela, sentindo o movimento somente na região abdominal e não na torácica.
c) Respiração de bloqueio
O treinamento desta técnica durante a gestação, só deverá ser iniciado após o começo do 4º mês, e interrompida quando houver possíveis dilatações precoces do colo do útero e contrações uterinas esporádicas. E no início do 9º mês.
TÉCNICA - Inspirar profundamente com respiração abdominal. Flexionar o pescoço aproximando-o ao peitoral. Expirar e contrair o abdômen pressionando o diafragma para baixo, como se estivesse fazendo o ar sair via vaginal.
Com isso, o diafragma e a pinça abdominal irão auxiliar o período expulsivo.
6. ALGUMAS ALTERAÇÕES ORGÂNICAS
. Aumento do metabolismo basal;
. Aumento do consumo de oxigênio;
. Retenção hídrica, proteínas e sais minerais;
. Aquisição de gorduras;
. Diminuição progressiva da eficiência “gasto energético x trabalho”;
. Redução da tonicidade muscular;
. Alterações na marcha – a gestante passa adotar a marcha anserina – “andar de pata”;
. Aumento da lordose lombar para compensar o centro de gravidade;
. O afastamento das costelas a partir do terceiro trimestre pode causar dor nas costas;
. Aparecimento da dispnéia – falta de ar e cansaço;
. Instabilidade emocional, ansiedade;
. Desejos e aversões a certos alimentos;
. Compressão de nervos causando parestesias e neuropraxia;
. Pode ocorrer a Síndrome braquial e do Túnel do carpo;
. Aumento de tamanho e peso dos rins;
. Incontinência urinária pela frouxidão dos músculos do períneo;
. Diástase dos músculos abdominais. Normal até 3 dedos.
7. RECOMENDAÇÃO PARA OS EXERCÍCIOS
. A freqüência cardíaca não deverá ultrapassar 140 bpm;
. Realizar exercícios de 50 à 70% do VO2 máx. com duração aproximada de 40 min;
. A temperatura corporal materna não deverá ultrapassar 38,5º C;
. Roupas adequadas e beber bastante líquido;
. Evitar exercícios em ambientes quentes e úmidos;
. Não objetivar condicionamento físico durante a gravidez;
. Iniciar a atividade física a partir do 3º mês de gestação., reduzir a intensidade em 30% a partir do 5º mês.
8. CONTRA-INDICAÇÕES ABSOLUTAS
. Doenças miocárdias;
. Insuficiência cardíaca;
. Doença infecciosa;
. Risco de parto prematuro.
9. CONTRA-INDICAÇÕES RELATIVAS
. Hipertensão;
. Anemia e outras desordens sangüíneas;
. Doença da tiróide;
. História de vida sedentária.
OBS.: É importante que os exercícios sejam feitos sob orientação médica e principalmente aprovação.
10. PROGRAMA
. Aprovação médica;
. 2 a 3 vezes por semana;
. No máximo três gestantes;
. Cada gestante deve possuir sua ficha de exercícios. O educador físico deverá fazer as anotações necessárias para controle do programa;
. Cada mês da gestação deverá ter o seu programa adaptado aquele período;
. Toda aula deverá conter um relaxamento;
. Os exercícios devem ser acompanhados pelo educador físico;
. Sua freqüência cardíaca deve ser aferida ao final dos exercícios e após ao relaxamento;
. Promover conscientização corporal para favorecer a postura.
Exercícios
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1) Decúbito lateral, pé esquerdo na bola Gymnic – realizar movimentos de flexão e extensão do joelho. 20 vezes. Alternar a série com o pé direito.
Objetivo: Fortalecimento da musculatura glútea. Auxiliar na manutenção da lordose lombar.
Pode ser realizado em todo o período gestacional. |
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2) Decúbito lateral, apoiar a borda medial do pé esquerdo na bola Gymnic – realizar a rotação externa do quadril. 20 vezes. Alternar a série com o pé direito.
Objetivo: Fortalecimento da musculatura glútea. Auxiliar a manutenção da lordose lombar.
Pode ser realizado em todo período gestacional. |
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3) Decúbito dorsal, MMII (membros inferiores) apoiados na bola Gymnic. Realizar a dorso-flexão e flexão plantar dos pés. Tempo: 1 a 2 minutos.
Objetivo: Ativar a circulação dos MMII e relaxamento.
Pode ser realizado em todo período gestacional, principalmente nos últimos meses que os membros inferiores tendem a um inchaço maior. |
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4) Decúbito dorsal, flexão do quadril, joelhos flexionados. Afastamento dos pés na largura do quadril. Realizar a contração e relaxamento do músculo períneo. (é o mesmo movimento de “segurar o xixi e soltar”) Tempo: 1 a 2 minutos.
Objetivo: Fortalecimento da musculatura pélvica e auxílio para o trabalho de parto.
Pode ser realizada até o 8º mês de gestação. |
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5) Decúbito dorsal, flexão do quadril, joelhos flexionados. Apoiar a mão esquerda do lado direito da cabeça e realizar a inclinação e a rotação para o mesmo lado do braço. Alternar para o outro Tempo: 1 a 2 minutos.
Objetivo: Manutenção da lordose cervical, mobilidade cervical e relaxamento dos músculos do pescoço.
Pode ser realizado em todo período gestacional. |
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6) Decúbito dorsal, flexão do quadril, joelhos flexionados. Colocar o dorso da mão direita em baixo da ponte lombar. Inclinar a cabeça para o lado esquerdo e realizar a circundução do ombro direito. Realizar o movimento lentamente. Alternar o movimento com o ombro esquerdo. Tempo: 1 a 2 minutos.
Objetivo: Mobilidade escapular e prevenção da adução de ombros. Auxiliar contra o aumento da cifose torácica.
Pode ser realizado em todo período gestacional. |
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7) Decúbito dorsal, flexão do quadril, joelhos flexionados. Segurar o pé esquerdo com a mão esquerda e realizar a hiperflexão do quadril. Alternar o lado. Tempo: 1 a 2 minutos .
Objetivo: Mobilidade da articulação coxo-femural, alongamento dos músculos posteriores da coxa e auxiliar para o trabalho de parto.
Pode ser realizado até o 8º mês de gestação. |
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8) Decúbito Dorsal, flexão do quadril, joelhos flexionados. Com alteres de 2 kilos, elevar os braço simultaneamente com os cotovelos estendidos. Tocar o alteres no solo. 20 repetições.
Objetivo: Fortalecimento da musculatura peitoral e auxiliar na manutenção da cifose torácica.
Pode ser realizado em todo período gestacional. |
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9) Decúbito dorsal, MMII apoiados no fysio-roll. Realizar a flexão do quadril com o joelho estendido. 20 vezes. Alternar o MI (membro inferior) .
Objetivo: Fortalecimento da musculatura dos MMII, fortalecimento abdominal e auxiliar na manutenção da lordose lombar.
Pode ser realizado em todo período gestacional. |
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10) Decúbito dorsal, MMII apoiados no fysio-roll. Realizar a flexão do quadril com o joelho flexionado. 20 vezes. Alternar o MI.
Objetivo: Fortalecimento da musculatura dos MMII, fortalecimento abdominal e auxiliar na manutenção da lordose lombar. |
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