O diabetes é um dos mais importantes problemas de saúde mundial. A doença atinge, principalmente, pessoas de meia-idade ou com idade mais avançada e caracteriza-se pela hiperglicemia, ou seja, pelo excesso de açúcar no sangue e por baixas taxas de insulina.
Seu tratamento envolve o uso de antidiabéticos orais e/ou insulina, dieta e atividade física. Contudo, poucos são os pacientes que aderem à prática de esporte. Frente a esses dados, os pesquisadores Carlos da Silva e Walter de Lima, ambos da Universidade Estadual de Campinas, resolveram avaliar o efeito do exercício físico regular no controle glicêmico de pessoas com diabetes mellitus tipo 2 (DM2).
De acordo com artigo publicado, em outubro de 2002, na revista Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, foram selecionados, para a pesquisa, 33 pacientes diabéticos da Clínica Unicardio/HSC de Blumenau e da Associação dos Diabéticos de Blumenau. Todos tinham DM2 e possuíam idade entre 45 e 75 anos, sendo que alguns utilizavam insulina e outros não. O programa de exercício físico, preparado para o estudo, tinha duração de 10 semanas, com 4 sessões de 60 minutos por semana.
Cada sessão constava de aquecimento, exercícios aeróbicos (caminhada, corrida ou bicicleta), exercícios de resistência muscular localizada (com pesos) e resfriamento (com exercícios de alongamento, flexibilidade e relaxamento). As variáveis como taxa de glicemia, índice de massa corporal, freqüência cardíaca de repouso, entre outras, foram medidas antes e após as sessões de exercícios.
Através dos resultados, Carlos e Walter observaram que os pacientes com DM2 têm sua glicemia diminuída pelo efeito agudo do exercício físico. Segundo eles, “isso poderia ser justificado pelo efeito benéfico do exercício, tal como a melhora da captação de glicose que se encontra aumentada durante o exercício físico, mesmo com baixos níveis insulinêmicos (insulina no sangue)”.
E não é só isso: de acordo com os resultados, a freqüência cardíaca de repouso, o índice de massa corporal (gordura corporal), a eficiência cardíaca e outras variáveis também melhoraram consideravelmente. Os pesquisadores ressaltam, ainda, que os indivíduos com DM2, tratados ou não com insulina, mostraram o mesmo efeito de redução da taxa de glicemia como resposta ao exercício físico. Além disso, segundo eles, muitos pacientes se queixaram menos, após o início do programa, de depressão, insônia, dores nos membros inferiores, mal estar e melhoraram seu relacionamento social. “Dessa forma, fica clara a importância do exercício físico no controle do diabetes”, afirmam.
Agência Notisa
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