Walter F. Stewart, Judith A. Ricci, Elsbeth Chee, Steven R. Hahn, David Morganstein
Contexto: evidência indica que depressão afeta de modo adverso a produtividade no trabalho. Estimativas do impacto econômico do tempo de trabalho perdido na força de trabalho norte-americana, entretanto, são poucas e antigas.
Objetivo: estimar o impacto da depressão nos custos relacionados a trabalho (isto é, ausência no trabalho e desempenho reduzido enquanto trabalhando) na força de trabalho norte-americana.
Projeto, cenário e participantes: todos os indivíduos empregados que participaram da Auditoria Americana de Produtividade (conduzida entre 01 de agosto de 2001 a 31 de julho de 2002) entre 20 de maio e 11 de julho de 2002, foram elegíveis para o Estudo de Distúrbios Depressivos. Aqueles que responderam afirmativamente a duas questões de triagem para depressão (n = 692), assim como uma amostra randômica estratificada 1:4 daqueles que responderam de forma negativa (n = 435), foram recrutados para e completaram uma entrevista adicional com o uso do Primary Care Evaluation of Mental Disorders Mood Module para depressão, do Inventário de Sintomas Somáticos, e de uma história médica e de tratamento para depressão. Custos do excesso de tempo de trabalho produtivo perdido (LPT) devido a depressão foram obtidos como a diferença entre LPT nos indivíduos com depressão menos LPT esperado na ausência de depressão projetados na força de trabalho norte-americana.
Medida principal de desfecho: estimativas de LPT e custos associados de trabalho (ausência no trabalho e desempenho reduzido) devidos a depressão.
Resultados: trabalhadores com depressão relataram significativamente mais LPT total relacionado com saúde do que aqueles sem depressão (média 5,6 h/sem vs. esperado 1,5 h/sem, respectivamente).
Oitenta e um por cento dos custos de LPT são justificados por um desempenho reduzido durante o trabalho. Depressão mais grave é responsável por 48% do LPT entre aqueles com depressão, novamente com uma parcela grande dos custos explicada por um desempenho reduzido no trabalho. Uso auto relatado de antidepressivos nos 12 meses anteriores entre aqueles com depressão foi baixo (<30%) e a eficácia média relatada do tratamento foi apenas moderada.
Extrapolação desses resultados do levantamento e dos salários anuais auto relatados para a população de trabalhadores norte-americanos sugere que trabalhadores dos EUA com depressão empregados custam aos empregadores cerca de U$44 bilhões ao ano em LPT, um excesso de U$31 bilhões por ano quando comparado com seus pares sem depressão. Essa estimativa não inclui custos de trabalho associados com incapacidade de curto e longo prazo.
Conclusões: a maioria dos custos em LPT que os empregadores enfretam decorrentes de depressão dos empregados é invisível e explicada por desempenho reduzido durante o trabalho. Uso de tratamentos para depressão parece ser relativamente baixo. A combinação de excesso de LPT entre aqueles com depressão e o baixo nível de tratamento sugere que devem existir oportunidades custo-eficazes para melhorar desfechos associados com depressão na força de trabalho norte-americana.
Fonte: JAMA 2003; 289: 3135-3144
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