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ESPAÇO SAÚDE


CEREAL PODE NÃO SER OPÇÃO MAIS SAUDÁVEL PARA O CAFÉ DA MANHÃ


Pesquisa mostra que flocos de milho industrializados contêm muito açúcar e pouca fibra 
 
 Os cereais matinais industrializados podem não ser a opção mais saudável para o café da manhã. O alerta é do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), que no mês passado analisou os rótulos de 13 cereais e concluiu que esse tipo de alimento contém, de maneira geral, açúcar demais e fibra de menos.
 
 Numa porção de 30 gramas, o açúcar chega a responder por 13 gramas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o consumo diário não ultrapasse os 50 gramas. Considerada a orientação de se fazerem seis pequenas refeições ao longo do dia, o açúcar no café da manhã não deveria passar de 8,3 gramas.
 
 A dose fica ainda mais doce quando os flocos do cereal são misturados ao leite e o café da manhã inclui ainda geléias e achocolatados.
 
 A função do açúcar - um tipo de carboidrato - é fornecer energia ao corpo. O problema é que ele é absorvido rapidamente. Isto é, as células recebem açúcar demais e não conseguem consumir tudo de uma vez. O excedente, em vez de virar energia, é armazenado na forma de gordura.
 
 “O açúcar é um dos grandes vilões na epidemia de obesidade”, afirma a nutricionista Mariana Del Bosco, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso).
 
 Os cereais menos recomendados são aqueles que recebem cobertura de açúcar e mel. Uma porção de 30 gramas de cereais pode ter 13 ou 2,4 gramas de açúcar. A diferença depende da presença ou não da camada açucarada extra.
 
 TABELA NUTRICIONAL
 
 O Idec, que tem sede em São Paulo, não pôde analisar o açúcar de todos os 13 cereais do estudo porque nem todos separam, na tabela nutricional, os diferentes tipos de carboidrato presentes. O consumidor fica sem saber o índice de açúcar no alimento. Isso não chega a ser ilegal, já que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não exige a informação. O Idec, no entanto, afirma que o Código de Defesa do Consumidor determina que quem compra tem direito a ter todas as informações sobre os produtos.
 
 O outro problema encontrado no estudo foi a pequena quantidade de fibra nos cereais matinais. Há produtos que simplesmente não contêm nada desse elemento. “Para ser saudável, o cereal precisa ter fibras”, explica o endocrinologista Antônio Carlos Lerario, um dos diretores da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).
 
 As fibras são essenciais ao organismo porque regulam o funcionamento do intestino, ajudam a controlar o colesterol, protegem o coração e previnem certos tipos de câncer, como o gastrointestinal.
 
 NO EXTERIOR
 
 Na mesma pesquisa, o Idec analisou os rótulos das mesmas marcas vendidas no exterior e constatou que, em muitos casos, os similares estrangeiros são mais saudáveis que os brasileiros.
 
 O cereal Sucrilhos Kellogg’s que se compra na Inglaterra, por exemplo, contém 11,1 gramas de açúcar (numa porção de 30 gramas), ante 12 gramas do Brasil. O Honey Nutos inglês tem 2,1 gramas de fibra, ante 1 grama daqui.
 
 Ainda segundo o Idec, no exterior há o costume de se separarem os tipos de carboidrato, para que os consumidores saibam a quantidade de açúcar que vão comer. “Estamos pleiteando à Anvisa que essa informação seja obrigatória”, afirma o biólogo especialista em alimentos Murilo Diversi, do Idec. “Para os diabéticos, esse tipo de dado é fundamental”, acrescenta o endocrinologista da SBD.
 
 O consumidor brasileiro também pode encontrar opções saudáveis no supermercado. Existem cereais com 2,4 gramas de açúcar e 10,5 gramas de fibra. Basta ler o rótulo ou telefonar para a central de atendimento das empresas.
 
 CAFÉ DA MANHÃ SAUDÁVEL
 
 O café da manhã, como toda refeição, precisa conter alimentos que os nutricionistas chamam de “construtores” (como leite e iogurte), “energéticos” (pão) e “reguladores” (frutas). Os cereais fazem parte do grupo dos alimentos “energéticos”.
 
 “Os cereais não são necessariamente vilões”, esclarece a nutricionista Mariana Del Bosco. “Podem ser consumidos, mas com moderação, como os lanches fast food.”
 
 
 Fonte: O Estado de São Paulo, 05/12/06





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