Começam hoje os primeiros testes do maior estudo do mundo envolvendo o uso de células-tronco adultas no tratamento de doenças cardíacas. Mais de 40 centros de pesquisa e 1.200 pessoas em todo o país participam do projeto, que tem por objetivo averiguar a segurança e eficácia da terapia. Se ficar comprovado que o tratamento é eficaz e seguro, ele deverá ser oferecido pela rede pública hospitalar em, no máximo, três anos.
Os testes iniciais de hoje serão feitos no Instituto Nacional de Cardiologia Laranjeiras (INCL), no Rio, no Hospital Santa Isabel, em Salvador, e no Incor de São Paulo. Os testes são patrocinados pelo Ministério da Saúde.
Segundo o coordenador nacional do estudo, o médico Antônio Carlos Campos de Carvalho, somente os testes em pacientes com infarto agudo do miocárdio não começam amanhã.
- Isso, no entanto, não deve interferir nos prazos pois os testes em pacientes com infarto são os mais rápidos, previstos para durarem seis meses. O estudo tem o objetivo de comprovar a eficácia das células-tronco no tratamento de quatro tipos de doenças do coração - disse.
No INCL, o primeiro paciente selecionado para o teste é portador de cardiomiopatia dilatada. Ele receberá o implante de um líquido, que pode ser tanto célula-tronco quanto placebo. Para que o aspecto psicológico não influencie o resultado, esta divisão será feita por sorteio.
Pacientes se recuperam em até 72 horas
O estudo dividirá os 1.200 voluntários selecionados em quatro grupos, com 300 pessoas cada, de acordo com a doença cardíaca. Os quatro grupos serão subdivididos em um de controle e outro de teste, mas apenas os voluntários do grupo de teste receberão implante de células-tronco. No final do período, os dois grupos serão comparados e os resultados divulgados num prazo máximo de três anos.
Os ministros da Saúde, Humberto Costa, e da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, estarão no INCL hoje para a abertura inicial da fase de testes. O tempo de recuperação do paciente submetido à terapia da célula-tronco é de apenas 72 horas.
Após a cirurgia, ele é observado por três meses.O objetivo do Ministério da Saúde é implementar o tratamento na rede do Sistema Único de Saúde (SUS).
Fonte: O Globo, 10/06/05 |