Se diagnosticada no início, doença desaparece em até 100% dos casos
Idas mais freqüentes ao dentista e o auto-exame da boca podem livrar os brasileiros do mal que ocupa o sexto lugar no ranking dos tipos de câncer em homens e oitavo, em mulheres. Trata-se do câncer de boca que, diagnosticado na fase inicial, pode ser curado em até 100% dos casos. A afirmação é do periodontista Mário Ghelman, diretor de uma clínica em São Paulo. Segundo ele, além do diagnóstico precoce, passar bem longe dos fatores de risco ainda é a melhor alternativa para se ver livre da doença.
Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) revelam que 86% dos casos de câncer bucal acometem homens com idades entre 45 e 55 anos. Entre os principais fatores de risco associados à doença estão o tabagismo, ingestão excessiva de álcool, uso prolongado de antissépticos bucais, exposição excessiva à radiação solar e fatores hereditários. “Tabagismo e consumo de álcool, principalmente, podem levar a uma série de alterações celulares que se transformam em lesões cancerizáveis. Por isso, é preciso controlar muito esses fatores”, diz o periodontista.
Mas os riscos não acabam aí. A boca é um órgão extremamente suscetível à contaminação. São encontradas nela pelo menos 400 espécies de bactérias. Por isso, a má higiene dos dentes também pode dar origem a processos patológicos. Próteses dentárias mal-adaptadas, hábitos viciosos como morder a língua, lábios ou bochechas, irritar as gengivas com instrumentos pontiagudos, como palitos e pontas de caneta, além de uma dieta pobre em vitaminas A, C e E, podem constituir outros fatores agravantes.
AUTO-EXAME “Como não apresenta muitos sintomas, o auto-exame é muito importante, principalmente para quem tem incidência de câncer na família”, comenta. Mário Ghelman lembra que qualquer alteração, por menor que seja, deve ser levada em conta principalmente quando o machucado ou afta demora a cicatrizar.
Também é importante saber que o câncer bucal não está restrito aos dentes e à mucosa. A parte óssea, como a mandíbula e o maxilar, também deve ser radiografada, principalmente quando houver dormência local. “A ausência de sensibilidade ou presença de dor podem ser indícios de que a estrutura deslocou, ou que um nervo foi atingido”, afirma.
Outro alerta vai para os adeptos dos antissépticos bucais. Muitos deles contêm um percentual alcoólico elevado. “Os bactericidas podem não só aumentar as aftas como também potencializar as chances de afetar a produção celular na região”, alerta o especialista.
Fonte: Estado de Minas, 11/04/05 |