A tuberculose está ficando mais resistente aos tratamentos, principalmente em países da Ásia e da África, aumentando o número de mortalidade por causa da doença. O alerta foi dado ontem num estudo publicado pela Revista da Associação Médica Americana (Jama).
O problema, segundo editorial da revista, pode fazer com que nem metade da meta de redução da doença até 2015, estabelecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), seja alcançada. A cada ano, oito milhões de pessoas são vítimas da doença em todo o mundo. Em todo o planeta, dois bilhões de pessoas - ou um terço da população global - são portadoras do bacilo causador da doença.
- Cerca de 90% dos casos de tuberculose no mundo ocorrem em países pobres e identificamos o tipo mais resistente da doença em Bangladesh, Índia e Nigéria. Esses casos têm relação com o aumento do número de pessoas com Aids nessas regiões - explicou o imunologista Christopher Dye, da OMS em Genebra, e um dos autores do estudo.
O autor alertou também para a chegada das formas mais resistentes da doença aos países da Europa e aos Estados Unidos. Isso, segundo ele, pode acontecer por causa dos imigrantes.
- Já identificamos algumas formas mais resistentes de tuberculose nos Estados Unidos, especialmente na Califórnia, mas nada parecido com o que vimos na Nigéria, por exemplo. O problema é que essa variação mais resistente do bacilo causador da doença pode se espalhar, aumentando ainda mais o número de óbitos em todo o mundo - disse.
Enquanto o índice de letalidade da tuberculose nos países desenvolvidos é de cerca de 1%, em algumas regiões onde o bacilo já é mais resistente a mortalidade chega a ser quatro vezes maior. Para conter a doença, Dye recomenda que sejam repassados recursos para que os países pobres possam dar medicamentos para as pessoas em tratamento:
- O grande problema das regiões pobres é que os pacientes começam a ser tratados mas, por falta de recursos, interrompem o tratamento.
Fonte: O Globo, 08/06/05
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